Um menino de 12 anos morreu baleado dentro de casa durante uma ação da Polícia Militar na madrugada de 1º de maio, em Salvador. Davi foi atingido no quarto de sua residência, no bairro de Fazenda Grande do Retiro. A versão oficial da corporação aponta confronto com homens armados, mas familiares e vizinhos negam que houvesse tiroteio no momento.
A Polícia Militar da Bahia (PMBA) afirmou que uma guarnição foi recebida a tiros ao chegar ao local. Após o cessar-fogo, dois feridos foram levados ao Hospital do Subúrbio: um suspeito, que morreu, e Davi, que não resistiu. As armas dos policiais foram apreendidas para perícia, e a Corregedoria da PMBA abriu procedimento investigatório.
A morte reacendeu o debate sobre a letalidade policial no estado. A Bahia lidera o ranking nacional de mortes em intervenções de agentes de segurança, com 1.464 casos em 2024, um aumento de 12% em relação ao ano anterior, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. Os protestos de moradores, que fecharam uma das principais avenidas da capital, evidenciam a revolta com a violência que atinge crianças em comunidades periféricas.
Versões divergentes sobre o confronto
A PMBA sustentou, em nota, que os policiais agiram em legítima defesa após serem atacados por um grupo armado. A dinâmica dos fatos, porém, é alvo de controvérsia. A corporação não detalhou quantos agentes participaram da ação nem se houve ordem para entrada na residência.
Moradores contestam frontalmente essa narrativa. Em depoimento, a mãe de Davi declarou: ‘Ele estava deitado na cama. A bala atravessou a parede e acertou meu filho’. Outros relatos colhidos na comunidade indicam que não havia confronto no instante dos disparos que atingiram a casa.
A indignação de vizinhos levou ao fechamento da Avenida Vasco da Gama com faixas pedindo justiça. ‘Estava dentro de casa’, afirmou uma moradora, reforçando a versão de que não houve troca de tiros no interior do imóvel. A Corregedoria da PMBA apreendeu as armas dos policiais para perícia balística, mas não divulgou prazo para conclusão do laudo.
Investigação e questionamentos sobre transparência
A Polícia Civil da Bahia instaurou inquérito para apurar a origem do disparo que matou Davi. A Secretaria de Segurança Pública informou que a perícia foi acionada e que os laudos balísticos serão fundamentais para esclarecer se o tiro partiu de arma de policial ou de suspeito. A Corregedoria da PM também investiga a conduta dos agentes.
A escassez de informações oficiais alimenta a desconfiança. Familiares e moradores criticam a demora na divulgação de detalhes e a ausência de identificação dos policiais envolvidos. A mãe do garoto reiterou que o filho estava no sofá quando foi atingido e que não houve troca de tiros dentro de casa.
Na manhã seguinte ao crime, dezenas de pessoas fecharam a Avenida Vasco da Gama em protesto. O ato paralisou o trânsito em uma das principais vias de Salvador por mais de duas horas. A Polícia Civil ouvirá testemunhas e analisará imagens de câmeras de segurança da região, mas não há prazo para conclusão do inquérito.
Letalidade policial em Salvador e na Bahia
A Bahia registrou 1.464 mortes decorrentes de intervenção policial em 2024, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do estado. O número mantém o estado como líder nacional nesse indicador, conforme relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em Salvador, a letalidade se concentra em bairros periféricos, onde operações da PM frequentemente resultam em vítimas civis.
Moradores de comunidades como Fazenda Grande do Retiro relatam que ações policiais ocorrem com uso intensivo de armamento e sem distinção entre alvos e população. ‘Eles atiram primeiro e perguntam depois’, afirmou um residente da região. A ausência de câmeras corporais nos uniformes dos agentes dificulta a apuração de responsabilidades, segundo o Ministério Público da Bahia.
Casos recentes ampliam o debate. Em março de 2025, Davi dos Santos, de 11 anos, foi atingido dentro de casa durante uma incursão no bairro de São Caetano. A PM alegou confronto com suspeitos, mas testemunhas disseram que não houve tiroteio no momento. Em setembro do ano passado, outra criança morreu em circunstâncias similares no subúrbio ferroviário, conforme registros da Defensoria Pública.
❓ Perguntas frequentes
O que aconteceu com Davi durante a ação policial em Salvador?
Davi, de 12 anos, foi baleado dentro de casa, no bairro de Fazenda Grande do Retiro, durante uma ação da Polícia Militar na madrugada de 1º de maio. Ele foi levado ao Hospital do Subúrbio, mas não resistiu. A família afirma que ele estava no quarto e não houve tiroteio no momento.
Qual é a versão da Polícia Militar sobre o caso?
A PMBA alega que a guarnição foi recebida a tiros por homens armados e agiu em legítima defesa. Um suspeito também morreu no confronto. As armas dos policiais foram apreendidas e a Corregedoria abriu investigação sobre a conduta dos agentes.
Como está a investigação da morte da criança?
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a origem do disparo. Laudos balísticos serão fundamentais para determinar se o tiro partiu de arma de policial ou de suspeito. A Corregedoria da PM também investiga a ação, mas não há prazo para conclusão.











