O Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil de São Paulo revelou neste sábado (18) que o doleiro Victor Shimada, sancionado pelo governo dos Estados Unidos, utilizou empresas e contas no Banco Master para lavar recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação, conduzida no âmbito da Operação Saturno, aponta que o esquema movimentou R$ 49 bilhões, segundo o Denarc — valor que contrasta com os R$ 10 bilhões citados pela Polícia Federal em apuração paralela. A discrepância entre os montantes ainda não foi esclarecida pelas autoridades.
O Banco Master não se manifestou sobre o caso até a publicação desta reportagem. A representação da PF que embasou a Operação Exchange, deflagrada em 3 de julho, menciona o PCC apenas uma vez, sem detalhar vínculos diretos dos alvos com a facção — alegação que, no entanto, serviu de base para as sanções americanas.
Histórico de fraudes e sanções internacionais
Victor Shimada já havia sido condenado pela Justiça brasileira por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro em esquema que envolveu o Banco Votorantim (atual BV). Em 1º de julho, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções financeiras contra ele, apontando-o como principal operador financeiro do PCC no exterior. Dois dias depois, a Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange e prendeu uma secretária do grupo.
As sanções americanas, impostas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), incluíram Shimada e outras pessoas físicas e jurídicas. A medida bloqueia bens nos EUA e proíbe transações com cidadãos americanos. A ação do Denarc, iniciada em julho de 2025, demonstra o alinhamento entre órgãos de inteligência americanos e polícias brasileiras no combate ao braço financeiro da facção.
A revelação amplia o cerco contra a lavagem de dinheiro do PCC, que na última quarta-feira (15) levou a PF a mirar uma rede que movimentou R$ 100 milhões para a facção, conforme mostrou o PIRANOT.
O esquema e a divergência de cifras
De acordo com o relatório do Denarc, as empresas ligadas a Shimada e contas no Banco Master funcionavam como “bolsões” para escoamento de recursos ilícitos. A investigação identificou 73 empresas envolvidas, entre reais e de fachada, que teriam movimentado R$ 49 bilhões. Já a Polícia Federal, em sua apuração, estima o volume em R$ 10 bilhões.
A diferença de R$ 39 bilhões entre os levantamentos não foi explicada. O Denarc não detalhou a metodologia de cálculo, e a PF não se pronunciou sobre a nova cifra. A defesa de Shimada nega que ele atue como operador do PCC e afirma que as acusações são infundadas.
Próximos passos e lacunas
Até o momento, não há decisão judicial que determine o bloqueio de contas do Banco Master ou o indiciamento de seus executivos. O Ministério Público ainda não se manifestou se abrirá investigação própria a partir do relatório do Denarc. A Polícia Civil informou que o caso segue sob sigilo.
A ausência de uma manifestação detalhada do banco e a falta de uniformidade nos números mantêm em aberto a dimensão exata do esquema e o grau de envolvimento da instituição financeira. A reportagem questionou o Banco Master e aguarda retorno. O Denarc não informou se há mandados de prisão adicionais ou novas fases da operação previstas.











