O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou neste domingo (19) que decretará feriado nacional para receber a seleção vice-campeã da Copa do Mundo de 2026, horas depois da derrota por 1 a 0 para a Espanha na final disputada em Nova Jersey. A medida, comunicada em rede social, contrasta com o rígido programa de ajuste fiscal do governo e reacendeu críticas do setor produtivo.
Em publicação na rede social X, Milei afirmou que o feriado será declarado “em função do que decidirem os jogadores e a comissão técnica quanto ao dia para celebrar”. O presidente agradeceu à equipe pela campanha e disse que a torcida merecia a homenagem, mesmo sem o título. A íntegra do pronunciamento foi reproduzida pelo jornal Clarín.
O anúncio ocorre em meio a um forte aperto fiscal e a uma recessão que ainda pressiona o consumo. Feriados adicionais costumam gerar atritos com o comércio e a indústria, que perdem faturamento e precisam arcar com horas extras. A decisão de Milei ecoa a de seu homólogo paraguaio, Santiago Peña, que em junho decretou feriado no Paraguai após a vitória nos pênaltis sobre a Alemanha nas quartas de final, conforme noticiou o PIRANOT.
Precedente de 2022 e o peso do vice-campeonato
Em 2022, a Argentina decretou feriado nacional para celebrar o tricampeonato mundial no Catar, com a delegação liderada por Lionel Messi desfilando em Buenos Aires. Desta vez, a homenagem é a um vice-campeonato, o que levou opositores a questionarem a oportunidade da medida. “É um gasto desnecessário em um momento em que o país precisa de mais dias de trabalho, não de folga”, reagiu um dirigente da Confederação Argentina da Média Empresa, em declaração à imprensa local.
O governo não detalhou se haverá compensação de horas para o comércio, ponto que costuma travar negociações com sindicatos. A falta de um decreto publicado até a noite deste domingo mantém a medida no campo do anúncio político, sem efeito legal imediato. Ainda assim, a simples sinalização já provocou reações nas redes e entre economistas, que lembram que o país tenta consolidar a recuperação do PIB, que avançou 2,3% no primeiro trimestre, como mostrou o PIRANOT.
O que falta definir
A data do feriado permanece em aberto. Milei condicionou a definição à agenda da seleção, que ainda não se pronunciou oficialmente. A comissão técnica e os jogadores devem informar nos próximos dias quando pretendem realizar a celebração com a torcida. Até lá, o decreto presidencial não será editado, e o feriado não tem validade jurídica.
Também não há informações sobre eventual compensação de jornada para os setores afetados, lacuna que deve ser alvo de pressão de entidades empresariais. O episódio expõe o estilo de Milei de usar gestos simbólicos de alto impacto popular, mesmo quando colidem com a ortodoxia fiscal que ele próprio defende.











