segunda-feira, 20 de julho de 2026
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Economia

Moody’s: América Latina tem geologia rica e custo baixo para minerais críticos, mas refino é gargalo

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Brasil possui reservas de níquel, grafite e nióbio, insumos essenciais para baterias e tecnologias limpas.
  • A União Europeia já compra 37,6% dos minerais críticos exportados pelo país, mas a falta de regras claras trava investimentos.
  • O governo federal adiou a criação do comitê de minerais críticos, e o Senado ainda discute um marco legal para o setor.
  • O relatório da Moody’s descreve um ambiente competitivo bifurcado, com barreiras elevadas para novos entrantes de menor porte.

A América Latina reúne geologia rica e custos competitivos para a exploração de minerais críticos, mas a falta de capacidade de refino local impede que a região transforme essa vantagem em liderança industrial. A avaliação é da agência de classificação de risco Moody’s Ratings, em relatório divulgado neste domingo (19).

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O documento coloca o Brasil em posição de destaque, com reservas de níquel, grafite e nióbio — insumos essenciais para baterias, veículos elétricos e tecnologias de energia limpa. No entanto, a Moody’s informa que a cadeia produtiva latino-americana permanece concentrada na extração bruta (upstream), enquanto o processamento e refino seguem dominados por países asiáticos, em especial a China.

A divulgação ocorre em meio a atrasos na regulação do setor. No início de julho, o governo federal adiou a criação do comitê de minerais críticos, e o Senado ainda discute um marco legal para a atividade, como mostrou o PIRANOT. A União Europeia já compra 37,6% dos minerais críticos exportados pelo Brasil, mas a ausência de regras claras trava investimentos, conforme reportagem do portal em 14 de julho.

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Disputa geopolítica e potencial geológico

A corrida por minerais críticos se intensificou com a disputa comercial entre Estados Unidos e China, que controla a maior parte do refino global. A América Latina desponta como alternativa estratégica por abrigar grandes reservas e oferecer custos de produção mais baixos, segundo a Moody’s. O relatório descreve um ambiente competitivo bifurcado: de um lado, grandes produtores já estabelecidos e em conformidade regulatória; de outro, novos entrantes que enfrentam barreiras elevadas de capital e tecnologia.

O Brasil tenta se posicionar como fornecedor global de minerais para a transição energética, apoiado em sua matriz elétrica limpa. Em maio, o país e os Estados Unidos avançaram em cooperação para o setor, como noticiou o PIRANOT. Ainda assim, a Moody’s alerta que a dependência de processamento asiático reduz a capacidade de a região capturar valor na cadeia.

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Oportunidade bilionária sem números fechados

O relatório não detalha o volume de investimentos necessários para superar o gargalo do refino, nem apresenta projeções de produção. Ainda assim, a agência classifica a América Latina como uma região de “custos competitivos” e “geologia rica”, o que a torna atrativa para mineradoras e fundos internacionais. A ausência de dados quantitativos, porém, dificulta estimar o tamanho da oportunidade e o prazo para que o refino local se torne viável.

Para o Brasil, o desafio é converter reservas em plantas de processamento. O país já é um dos maiores produtores de nióbio do mundo e possui depósitos significativos de grafite e níquel, mas a maior parte do minério extraído é exportada sem beneficiamento. A Moody’s observa que a necessidade elevada de capital e as lacunas tecnológicas são entraves comuns a toda a região, e que a competição com a China — que domina a etapa de refino — exige políticas públicas coordenadas.

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Próximos passos: marco legal e incentivos ao refino

O governo brasileiro ainda não definiu quais incentivos regulatórios adotará para viabilizar o refino local. O adiamento do comitê de minerais críticos e a tramitação lenta do marco legal no Congresso mantêm o setor em compasso de espera. Enquanto isso, a União Europeia e os Estados Unidos ampliam a demanda por minerais processados fora da China, o que pode acelerar decisões políticas nos próximos meses.

A Moody’s não estabelece prazos, mas o relatório reforça que a janela de oportunidade para a América Latina dependerá da capacidade de os países superarem as barreiras de capital e tecnologia. Sem refino local, a região continuará a exportar matéria-prima bruta, perdendo a chance de gerar empregos verdes e receita tributária na cadeia de valor da transição energética.

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