O incêndio no centro de distribuição da Coupang, maior plataforma de e-commerce da Coreia do Sul, entrou nesta segunda-feira (20) no terceiro dia consecutivo, superando 52 horas de chamas sem controle total. O fogo começou no sábado (18) no sexto andar do centro de distribuição nº 32, em Incheon, região metropolitana de Seul.
Segundo o corpo de bombeiros local, as chamas se alastraram para o sétimo andar e ainda não foram contidas. O prédio armazena grande quantidade de materiais inflamáveis, como produtos domésticos, caixas de papelão e embalagens plásticas, o que dificulta o combate.
A Coupang informou que todos os funcionários que estavam no local foram retirados em segurança. Não há registro de vítimas até o momento. As autoridades ordenaram a evacuação de empresas e fábricas vizinhas devido ao risco de desabamento parcial da estrutura.
A causa do incêndio ainda não foi determinada. Equipes de perícia aguardam o controle total das chamas para iniciar a investigação. A empresa não divulgou estimativa de prejuízos nem um plano de contingência para a retomada das operações.
Logística concentrada e riscos
A Coupang consolidou sua liderança no comércio eletrônico sul-coreano com um modelo de entregas ultrarrápidas, muitas vezes no mesmo dia, sustentado por uma malha logística centralizada em grandes centros de distribuição como o atingido. O incidente expõe a vulnerabilidade de cadeias de suprimentos altamente dependentes de poucos pontos de processamento.
Incêndios em instalações industriais de grande porte não são raros na Coreia do Sul. Em março deste ano, um incêndio em uma fábrica de autopeças em Daejeon deixou 14 mortos e 59 feridos, segundo autoridades locais. Na ocasião, o socorro foi dificultado pela presença de sódio armazenado no local.
Especialistas em logística alertam que a concentração de estoques em centros automatizados, embora eficiente, amplifica os impactos de interrupções. O PIRANOT mostrou em junho como a guerra no Oriente Médio encareceu o transporte para 95% da indústria brasileira, evidenciando a fragilidade das cadeias globais diante de choques localizados.
Impacto nas entregas e na operação
O centro de distribuição nº 32 atende a região metropolitana de Seul, onde vivem cerca de 26 milhões de pessoas. A Coupang não informou quantos pedidos são processados diariamente na unidade, mas a interrupção prolongada pode gerar atrasos significativos nas entregas, justamente em um período de alta demanda por compras online.
Analistas do setor de varejo apontam que a empresa enfrenta o desafio de redirecionar fluxos logísticos para outros centros, o que pode sobrecarregar a capacidade restante e elevar custos operacionais. A companhia, listada na Bolsa de Nova York, ainda não se manifestou sobre possíveis impactos financeiros ou acionamento de seguros.
A ausência de um plano de contingência divulgado aumenta a incerteza entre consumidores e investidores. A Coupang tem capitalização de mercado superior a US$ 30 bilhões e é um dos principais nomes do e-commerce asiático, mas incidentes como esse testam a resiliência de sua infraestrutura.
Próximos passos
O corpo de bombeiros de Incheon trabalha para conter totalmente as chamas e, em seguida, realizar uma avaliação estrutural do edifício. A previsão de conclusão do combate não foi informada. A investigação sobre a causa do incêndio só começará após a área ser considerada segura.
A Coupang afirmou que prioriza a segurança de seus funcionários e colabora com as autoridades, mas não deu prazo para normalização das operações. A empresa também não respondeu a questionamentos sobre o valor das perdas materiais ou sobre a existência de planos de redundância logística.











