A indústria brasileira do plástico calcula que a tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil pode reduzir as exportações do setor em uma faixa de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões. A estimativa é da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e coloca o segmento entre os mais expostos à nova rodada de medidas comerciais do governo Donald Trump.
O alerta chega em um momento de perda de fôlego no comércio com os norte-americanos. As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 18,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais de comércio exterior. Com a sobretaxa, produtos transformados de plástico tendem a chegar mais caros ao mercado americano, o que reduz competitividade e abre espaço para fornecedores de outros países.
A conta estimada pela Abiplast mira o impacto sobre vendas externas, não necessariamente uma perda imediata de produção. Ainda assim, a cifra é relevante porque o setor funciona em cadeia: envolve fabricantes de resinas, transformadores, embalagens, componentes industriais e fornecedores ligados a bens de consumo, construção e autopeças. Quando a exportação encolhe, a pressão se espalha por contratos, margens e planejamento de fábricas.
Sobretaxa atinge um setor ligado à indústria de transformação
A tarifa de 25% muda a conta de empresas que dependem do mercado americano para escoar parte da produção. Em setores industriais de margem apertada, uma barreira desse tamanho raramente é absorvida apenas pelo exportador: parte vira aumento de preço, parte reduz rentabilidade e parte pode resultar em perda de pedidos.
A Abiplast não detalhou, no cálculo divulgado, quais linhas de produtos seriam mais afetadas nem distribuiu a perda estimada por estado ou por segmento. Essa divisão é importante porque o plástico brasileiro não é um bloco único: há desde embalagens e insumos industriais até peças usadas por cadeias de maior valor agregado.
Mesmo sem essa abertura, a projeção já dá dimensão do problema. Uma perda potencial de até US$ 2 bilhões em exportações reduziria receita em dólar, afetaria empresas que negociam contratos internacionais e ampliaria a pressão por medidas de compensação ou negociação comercial por parte do governo brasileiro.
Pressão recai sobre governo e exportadores
O caso se soma a outras frentes de tensão comercial enfrentadas pelo Brasil em 2026. Em junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu canal com a União Europeia para tentar barrar restrições à carne brasileira. Agora, a ofensiva tarifária dos Estados Unidos amplia a lista de setores que cobram resposta diplomática e instrumentos de apoio à exportação.
Para o setor plástico, a prioridade é evitar que a sobretaxa transforme contratos já negociados em vendas inviáveis. O próximo passo prático deve concentrar a pressão sobre negociações com Washington e sobre medidas domésticas capazes de preservar competitividade, especialmente crédito, apoio à exportação e redução de custos para empresas atingidas pela barreira.











