O Reino Unido decidiu manter as importações de carne do Brasil e conduzirá uma avaliação independente dos controles de antimicrobianos, contrariando a pressão da União Europeia, que planeja suspender as compras a partir de setembro. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (17) pela Associação Internacional de Comércio de Carne (IMTA), após reunião com o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais britânico (Defra).
A decisão alivia a pressão sobre os frigoríficos brasileiros, que têm no mercado britânico um destino relevante. Em 2025, o Brasil exportou 29.980 toneladas de carne bovina para o Reino Unido, gerando receita de US$ 185,32 milhões, segundo dados do setor. O volume representou alta de 7,3% em relação ao ano anterior.
A União Europeia condiciona a continuidade das importações a mudanças no sistema brasileiro de controle de antimicrobianos. Com o Brexit, o Reino Unido passou a ter autonomia para definir suas próprias regras sanitárias e, segundo a IMTA, o Defra fará uma avaliação própria do novo sistema apresentado pelo Brasil, sem seguir automaticamente a decisão do bloco europeu.
Autonomia pós-Brexit e cenário do mercado
A saída do Reino Unido da União Europeia permitiu que o país negociasse acordos comerciais bilaterais. No caso da carne, a decisão de manter as compras ocorre em um momento de oscilações no mercado. No primeiro semestre de 2026, o volume exportado de carne bovina brasileira para o Reino Unido caiu 2,9%, mas o preço médio subiu 24,2%, indicando maior valor agregado.
O agronegócio brasileiro como um todo registrou recorde de exportações em abril, com US$ 16,65 bilhões, conforme noticiou o PIRANOT. A manutenção do fluxo para o Reino Unido reforça a resiliência do setor diante de barreiras sanitárias.
Próximos passos e incertezas
O Defra não divulgou prazo para concluir a auditoria. O governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura, ainda não se manifestou oficialmente sobre o anúncio. A ausência de um documento oficial do Reino Unido também mantém a cautela entre exportadores.
Enquanto isso, a ameaça de suspensão pela União Europeia segue no horizonte, com setembro se aproximando. A decisão britânica oferece um alívio temporário, mas o desfecho da avaliação técnica definirá se o mercado permanecerá aberto no longo prazo.











