domingo, 19 de julho de 2026
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Economia

Fundador da Icehot projeta faturar R$ 20 milhões com água gratuita, mas não divulga balanço auditado

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O fundador começou a trabalhar aos 11 anos como entregador de jornais.
  • Ouviu 42 recusas de prefeituras antes de viabilizar o negócio.
  • A Icehot quase faliu na pandemia e trocou o modelo de publicidade pela fabricação própria.
  • Investiu R$ 2 milhões em fábrica para produzir as estações de hidratação.
  • O CNPJ da empresa não foi divulgado para consulta de dados fiscais.

O empresário Alex Sander da Rosa, fundador da Icehot, afirma que a empresa deve faturar R$ 20 milhões em 2026 com a distribuição gratuita de água, após investir R$ 2 milhões em uma fábrica própria. A declaração foi dada em entrevista à imprensa neste domingo (19), mas não foi acompanhada de balanço patrimonial, registro de marcas ou contratos públicos que sustentem a operação.

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Rosa, que começou a trabalhar aos 11 anos entregando jornais, diz ter ouvido 42 “nãos” de prefeituras antes de viabilizar o negócio. A Icehot abandonou o modelo baseado em publicidade física nas estações de hidratação e passou a fabricar os equipamentos, movimento que, segundo o fundador, permitiu a retomada após a quase falência durante a pandemia de Covid-19.

O valor de R$ 20 milhões projetado para este ano equivale a 90,9 mil contas de energia elétrica de R$ 220, mas não há demonstrações financeiras auditadas ou registros na Receita Federal que confirmem o montante. A empresa não divulgou o CNPJ para consulta pública de dados fiscais.

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Do jornal à fábrica própria

Gaúcho, Rosa começou a vida profissional como entregador de jornais e depois vendeu ímãs de geladeira antes de criar a Icehot. A empresa enfrentou a crise sanitária com forte dependência de anunciantes, o que a levou à beira da quebra. A virada, relata o fundador, veio com a decisão de internalizar a produção das estações de hidratação, investindo R$ 2 milhões em uma unidade fabril.

A mudança de modelo é apresentada como a chave para a expansão nacional e, futuramente, para a América Latina. Contudo, a trajetória de superação não veio acompanhada de documentos que permitam aferir a saúde financeira da companhia. A falta de transparência sobre os números da Icehot ecoa outros casos recentes, como a dissolução da Infranext pela Sabesp sem revelação de valores, conforme noticiou o PIRANOT.

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Receita milionária sem lastro público

O faturamento de R$ 20 milhões declarado por Rosa é um número isolado, sem comparação com exercícios anteriores ou com dados setoriais oficiais. A indústria brasileira faturou R$ 8,8 trilhões em 2024, empregando 8,7 milhões de pessoas, segundo a Confederação Nacional da Indústria, mas não há recorte específico para o nicho de estações de hidratação gratuita que permita contextualizar o desempenho da Icehot.

A empresa não apresentou contratos com prefeituras ou grandes patrocinadores que justifiquem a cifra. Também não foram localizados registros de propriedade industrial ou balanços publicados em junta comercial. A prática de divulgar projeções de receita sem auditoria independente é comum em empresas de capital fechado, mas reduz a confiabilidade do dado para investidores e para o público.

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Próximos passos e lacunas

Rosa afirma que a Icehot planeja expandir a atuação para outros estados e países da América Latina, mas não detalhou prazos ou metas de investimento. A empresa também não informou se pretende abrir capital ou divulgar demonstrações financeiras auditadas no curto prazo.

Enquanto o CNPJ da companhia não for revelado, a receita de R$ 20 milhões permanece como uma declaração unilateral do fundador, sem possibilidade de verificação independente por meio de bases públicas da Receita Federal ou de juntas comerciais.

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