Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que as recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o ministro Alexandre de Moraes fragilizam a imagem de moderado que o pré-candidato à Presidência tenta construir, segundo a imprensa.
A avaliação, feita em caráter reservado, foi revelada neste domingo (19) pela imprensa. Os magistrados consideram que os ataques diretos ao relator de inquéritos que miram a família Bolsonaro comprometem a estratégia do senador de se apresentar como uma liderança pragmática e disposta ao diálogo.
A reação mais contundente ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes decidir, em 17 de julho, manter a prisão domiciliar humanitária de Jair Bolsonaro, mas endurecer as restrições. Flávio classificou a decisão como “covarde” e “desproporcional” em vídeo divulgado nas redes sociais. A defesa do ex-presidente, por sua vez, afirmou ao STF que ele não sabia que o filho tornaria pública a carta lida durante a transmissão ao vivo, atribuindo a iniciativa exclusivamente ao senador.
Estratégia de moderação em xeque
Flávio Bolsonaro vinha se posicionando como uma voz mais moderada dentro do PL, em contraste com o estilo combativo do pai. Em 1º de julho, por exemplo, repudiou publicamente uma fala machista de um aliado após cobrança da senadora Damares Alves, gesto interpretado como aceno ao eleitorado feminino. Em junho, o próprio Moraes havia autorizado Flávio a visitar o pai em prisão domiciliar, como o PIRANOT registrou, sinal de que a relação ainda permitia algum trânsito institucional.
No entanto, a leitura da carta de Jair Bolsonaro em 12 de julho, na qual o ex-presidente o define como “porta-voz” e pede união em torno de sua pré-candidatura, marcou uma guinada. O episódio levou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) a protocolar pedido de revogação da prisão domiciliar, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou violação das medidas cautelares, pedindo condições mais duras — o que foi parcialmente acolhido por Moraes, conforme o PIRANOT noticiou. Na decisão, Moraes afirmou que a situação de Bolsonaro era “mais benéfica que a de 705 mil presos” e impôs novas restrições, como a proibição de comunicação com terceiros além dos familiares autorizados.
Agora, a avaliação reservada de ministros do STF sinaliza que o tom de confronto adotado por Flávio pode ter consequências políticas. A percepção de que ele abandonou a moderação em um momento sensível — com o pai preso e a campanha em fase inicial — é vista como um risco para a imagem que o senador buscava consolidar. A ausência de uma reação oficial do STF não diminui o peso do recado: a Corte observa com lupa os movimentos do clã Bolsonaro.
O que vem a seguir
Até o momento, o STF não se manifestou oficialmente sobre a avaliação, e a defesa de Flávio Bolsonaro não comentou o teor da coluna. O senador tem depoimento marcado para 28 de julho em outro inquérito, que apura suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também relatado por Moraes. O caso pode reacender o embate direto entre o Judiciário e a pré-campanha bolsonarista.
O episódio adiciona mais um elemento de tensão à relação entre a Corte e a família Bolsonaro, que já acumula atritos em múltiplas frentes. A pré-campanha de Flávio, que já enfrenta resistências dentro do próprio PL — o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, negou prazo de 15 dias para o senador crescer nas pesquisas, como o PIRANOT noticiou —, agora lida com um novo flanco de desgaste. Para aliados do senador, o desafio será retomar a narrativa de moderação sem se distanciar da base bolsonarista mais radical, que exige enfrentamento direto com o Judiciário. A forma como Flávio conduzirá sua comunicação nas próximas semanas será decisiva para medir o impacto real da avaliação dos ministros.











