Um motorista de aplicativo foi esfaqueado no pescoço e amarrado ao final de uma corrida de mais de 1.000 quilômetros entre Santos (SP) e Foz do Iguaçu (PR). A viagem, negociada por R$ 1.600 com metade do valor pago adiantado, terminou em tentativa de latrocínio na terça-feira (28/04/2026). O caso expôs a fragilidade de profissionais que aceitam corridas interestaduais sem qualquer suporte das plataformas.
A vítima, de 41 anos, foi atacada assim que chegou ao destino combinado. Conforme a Polícia Civil do Paraná, os dois passageiros anunciaram o assalto e a esfaquearam no tórax e nos braços. O motorista foi deixado amarrado enquanto os criminosos fugiam com o carro.
O crime só não terminou em morte porque a vítima conseguiu se desvencilhar e pedir ajuda. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) a socorreram e a encaminharam a um hospital da cidade, onde permanecia consciente e estável até a última atualização.
A pane seca que frustrou a fuga
A fuga dos criminosos foi interrompida por um detalhe banal: o carro parou por falta de combustível. De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos abandonaram o veículo às margens de uma rodovia na região de Foz do Iguaçu e fugiram a pé.
O automóvel foi recuperado pela polícia ainda no mesmo dia e passou por perícia. Até a publicação desta reportagem, os dois suspeitos permaneciam foragidos. A Delegacia de Foz do Iguaçu investiga o caso como tentativa de latrocínio — roubo seguido de tentativa de morte.
A pane seca, e não um cerco das autoridades, impediu que os criminosos levassem o veículo para fora do estado. O episódio evidencia a falta de mecanismos de segurança em corridas negociadas fora das plataformas.
O risco das corridas interestaduais sem suporte
O ataque em Foz do Iguaçu é o retrato de uma vulnerabilidade que cresce no Brasil. Dados do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) indicam que crimes contra motoristas de aplicativo aumentaram 35% em 2024, com maior incidência em viagens de longa distância.
“A ausência de monitoramento em tempo real transforma esses trajetos em armadilhas”, afirma o relatório anual da entidade. A combinação de cansaço, isolamento e pagamento em dinheiro torna esses profissionais alvos fáceis para criminosos.
Associações de motoristas cobram medidas urgentes. “As plataformas precisam implementar verificação de identidade obrigatória e botão de pânico para viagens acima de 200 km”, declarou a Associação de Motoristas de Aplicativos do Paraná, em nota. Sem suporte das empresas, muitos motoristas aceitam corridas por fora, sem qualquer proteção.
O ONSV recomenda a criação de um protocolo nacional de segurança para o setor, mas a implementação ainda engatinha. Enquanto isso, motoristas seguem expostos a emboscadas como a registrada no Paraná.
❓ Perguntas frequentes
O que aconteceu com o motorista de aplicativo no Paraná?
Um motorista de 41 anos foi esfaqueado no pescoço e amarrado após uma corrida de 1.000 km entre Santos e Foz do Iguaçu. Ele aceitou a viagem por R$ 1.600, com metade do valor pago adiantado. A vítima foi socorrida pelo Samu e permanecia estável no hospital.
Quais os riscos de corridas interestaduais para motoristas de aplicativo?
Corridas de longa distância, especialmente as negociadas fora das plataformas, expõem motoristas a assaltos e violência. Dados do ONSV mostram que crimes contra esses profissionais cresceram 35% em 2024. A falta de monitoramento em tempo real e de botão de pânico aumenta a vulnerabilidade.











