O presidente Luiz Inácio Lula da Silva designou a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como nova líder do governo no Senado, em substituição a Jaques Wagner (PT-BA), que deixou o cargo nesta quarta-feira (24) após ser incluído na lista de alvos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
A nomeação foi anunciada por Lula em rede social nesta quinta-feira (25). Teresa Leitão assume com a missão de articular a aprovação de projetos prioritários do governo, como o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública.
“Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação”, escreveu o presidente.
Saída de Wagner e o caso Banco Master
Jaques Wagner deixou a liderança um dia após reunião de aproximadamente duas horas com Lula no Palácio do Planalto. O senador baiano afirmou que a saída ocorreu em “comum acordo” e que precisava de espaço para dedicar-se à sua estratégia de defesa. Wagner nega envolvimento com o Banco Master e diz que buscará provar sua inocência.
A 9ª fase da Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Wagner é apontado como alvo da apuração por suposto favorecimento à instituição financeira.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a saída de Wagner como “decisão correta”. Haddad também afirmou que o senador atuou contra o chamado “Emenda Master” — proposta que, segundo o ministro, teria beneficiado o banco em votação no Congresso. Wagner, à época ministro da Fazenda, teria recebido pedido de Haddad para orientar a votação contra o texto.
Nova líder e agenda do Senado
Teresa Leitão, senadora em seu primeiro mandato por Pernambuco, chega à liderança com a tarefa de recompor a articulação política do governo na Casa. Em declaração pública, destacou compromisso com “lealdade, diálogo e construção de consensos” entre o Planalto e o Senado.
A troca de comando ocorre em momento sensível para o governo. O Planalto precisa manter a base aliada coesa para aprovar medidas emblemáticas antes do calendário eleitoral de 2026. A saída de Wagner, figura experiente na articulação parlamentar, força a reconfiguração da estratégia de negociação com líderes partidários e relatores de comissões.
Wagner desejou sucesso à substituta em publicação nas redes sociais e reiterou que se afasta da liderança para concentrar esforços na defesa jurídica. Na última segunda-feira (22), sua defesa protocolou pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso ao inquérito da operação.
A Polícia Federal não divulgou novos marcos processuais desde a deflagração da 9ª fase. O inquérito permanece em fase investigativa, sem decisão judicial de mérito sobre as acusações. Enquanto isso, a nova líder do governo no Senado começa a articular a pauta de votações da semana com os partidos da base aliada.









