quinta-feira, junho 25
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Economia

Pai de Vorcaro contesta prisão em carta a Mendonça e diz ‘não sou bandido’

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A carta foi enviada ao ministro André Mendonça em 25 de junho, após 42 dias de custódia sem análise final.
  • No pedido, a defesa afirmou que ele não integra grupo criminoso e não participou de lavagem na Operação Compliance Zero.
  • Ela também descreveu risco de segurança na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, e pediu transferência imediata.
  • A decisão do STF saiu no mesmo dia, manteve a prisão preventiva e determinou mudança de unidade em 24 horas.
  • O colegiado já havia, no caso, voto 2 a 0 para manter Henrique e o primo presos, reforçando o padrão de cautela.

Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro e preso preventivamente desde 14 de maio na Operação Compliance Zero, encaminhou nesta quinta-feira (25/6) uma carta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em que contesta a própria prisão, nega envolvimento em crimes financeiros e afirma não integrar organização criminosa. No texto, Henrique se diz evangélico há 26 anos, afirma sustentar o pai de 94 anos há mais de três décadas e relata que a prisão afetou profundamente sua família.

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“Não sou bandido”, escreveu Henrique, segundo trechos divulgados da correspondência. Ele também sugeriu que Mendonça seria vítima de equívocos da investigação, embora reconheça que o quadro geral do inquérito é grave. A carta foi enviada após 42 dias de segregação cautelar sem que o tribunal tenha apreciado formalmente pedido de revisão da custódia.

A defesa de Henrique sustenta que a prisão foi decretada de forma precipitada, antes que ele pudesse prestar esclarecimentos à Polícia Federal. O caso integra a 6ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suposta lavagem de dinheiro, formação de grupo de intimidação — ao qual a PF atribui movimentação de R$ 1 milhão por mês — e vazamento de dados sigilosos ligados ao Banco Master, instituição controlada por seu filho Daniel.

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No mesmo dia 25/6, Mendonça negou pedido de conversão da prisão preventiva em domiciliar para Daniel Vorcaro e determinou sua transferência, em 24 horas, da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para o 19º Batalhão da Polícia Militar — a Papudinha, ala do Complexo Penitenciário da Papuda destinada a presos provisórios. O ministro fundamentou a decisão na necessidade de mitigar riscos de interferência na colheita de provas e na continuidade de estratégias de ocultação e blindagem patrimonial.

A transferência de Daniel ocorre após o fracasso de tentativas de acordo de colaborção premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Mendonça já havia consultado a PGR sobre a possibilidade de devolver o banqueiro à Papudinha após a rejeição do acordo.

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STF mantém prisões por 2 a 0

Na semana passada, o STF formou maioria parcial para manter as prisões preventivas de Henrique e do primo de Daniel Vorcaro. Com o voto antecipado do ministro Luiz Fux, o placar chegou a 2 a 0 na Segunda Turma. O ministro Gilmar Mendes divergiu e votou pela conversão da prisão de Henrique em domiciliar e pela soltura do primo, mas foi vencido.

A carta funciona, por enquanto, como peça de manifestação dirigida diretamente ao relator. Para obrigar o tribunal a deliberar sobre a revisão da custódia, a defesa precisará protocolizar petição formal — passo que, se dado, abrirá novo ciclo de análise no gabinete de Mendonça.


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