A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quinta-feira (25) a Operação Lázaro para investigar um esquema que teria ressuscitado um banco extinto há mais de 60 anos para tentar se apropriar de um crédito superior a R$ 1 bilhão. A ação é conduzida pela Delegacia de Defraudações (DDEF) e cumpre 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.
O alvo da investigação é o Banco de Crédito Móvel (BCM), instituição financeira que teve suas atividades encerradas na década de 1960, após processo de liquidação. Segundo a polícia, um grupo de falsos acionistas conseguiu restabelecer o registro da instituição em 2024, dando aparência de regularidade a uma entidade que estava inativa há mais de seis décadas. O nome da operação faz referência bíblica a Lázaro, amigo de Jesus Cristo conhecido por ter sido ressuscitado quatro dias após a morte.
Os mandados estão sendo cumpridos em condomínios e residências de alto padrão em sete bairros da capital fluminense: Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca, Glória, Tijuca, Copacabana, Gávea e Botafogo. O objetivo das buscas, segundo a Polícia Civil, é recolher aparelhos eletrônicos, documentos e materiais que possam esclarecer como o grupo reativou o cadastro da instituição e quais passos foram dados para reivindicar o crédito.
Como funcionou o esquema
A investigação apura se o grupo utilizou documentação societária irregular para alterar o registro do BCM em órgãos de fiscalização, possivelmente com a participação de pessoas ligadas a funções públicas e de perfil técnico. A Polícia Civil ainda não divulgou os nomes dos investigados, mas apura a participação de contadores, advogados e empresas de fachada no arranjo.
O ponto central da fraude está na brecha que permite reativar o registro de uma instituição financeira liquidada há décadas. Quanto mais antigo o ativo, mais complexa é a rastreabilidade da cadeia societária — o que teria facilitado a tentativa de reivindicar direitos sobre um crédito cujo valor exato e base de cálculo ainda são objeto de perícia.
Vulnerabilidade no sistema de registros
O caso expõe uma fragilidade nos mecanismos de controle sobre instituições financeiras inativas. A possibilidade de restabelecer o registro de um banco que encerrou atividades em 1964 — sem operar por mais de 60 anos — acende alerta sobre a integridade dos cadastros mantidos por órgãos de registro e supervisão, como a Junta Comercial e o Banco Central.
Para o mercado financeiro, a operação sinaliza que checagens de histórico de instituições podem precisar de camadas adicionais de validação. Um fluxo desse tipo testa a capacidade do sistema de distinguir uma entidade genuinamente ativa de uma reativação fraudulenta com fins de apropriação de crédito.
Próximos passos
Os próximos passos da investigação envolvem identificar quem assinou cada documento usado na reativação, mapear todas as etapas do processo e reconstruir o fluxo financeiro pretendido pelo grupo. A DDEF deve consolidar as provas recolhidas nos mandados desta quinta-feira para determinar se houve efetivamente um pedido de crédito em andamento ou apenas uma tentativa em fase preliminar. A Polícia Civil informou que novos desdobramentos podem ocorrer conforme avancem as análises dos materiais apreendidos.










