O governo federal projeta gastar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão na Copa do Mundo Feminina de 2027, primeira edição do torneio sediada no Brasil. O valor, ainda em fase de planejamento, deve cobrir despesas com segurança, mobilidade urbana, comunicação e ações de fortalecimento do futebol feminino.
A faixa de investimento foi divulgada como parâmetro preliminar e não corresponde ao orçamento final consolidado. O valor exato depende da definição de contratos, cronograma de repasses e instrumentos legais que ainda não foram publicados. O governo ainda não detalhou a divisão dos recursos por pasta nem o método de financiamento.
A Copa Feminina de 2027 será a 9ª edição da história do torneio e a primeira realizada no Brasil. A FIFA confirmou oito cidades-sede: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Brasília e Porto Alegre. O formato repete o da edição de 2023, realizada na Austrália e na Nova Zelândia, com 32 seleções na disputa.
Regras oficiais e reconhecimento histórico
Em junho, o governo publicou no Diário Oficial a lei que oficializa as regras do torneio e reúne as garantias apresentadas à FIFA durante a candidatura brasileira. O texto também prevê reconhecimento financeiro para atletas que defenderam o país em competições internacionais ao longo da história.
Segurança no centro do debate
A projeção de gastos chega em meio ao corte de recursos para áreas de segurança. O governo rejeitou pedidos de créditos suplementares de órgãos vinculados ao Ministério da Justiça e Segurança Pública que totalizavam R$ 1,12 bilhão. Entre os pedidos negados estavam recursos para a segurança da Copa do Mundo Feminina, com órgãos alertando sobre o impacto na proteção de atletas e turistas.
A Polícia Federal havia solicitado R$ 697,1 milhões para renovar licenças, reforçar fiscalização e incorporar aeronaves, enquanto a Polícia Rodoviária Federal pediu R$ 172 milhões para câmeras corporais e modernização tecnológica. Ambas alertaram que a falta de recursos pode comprometer operações importantes.
Comparação com 2014
O Brasil sediou a Copa do Mundo masculina em 2014, com gastos oficiais superiores a R$ 30 bilhões. A diferença de escala entre os dois eventos é significativa: o torneio feminino terá 64 jogos em oito cidades, enquanto a edição masculina envolveu 12 sedes e investimento massivo em estádios e infraestrutura.
Para que a projeção se transforme em dotação orçamentária executável, o governo precisa publicar o documento técnico-financeiro com a fonte dos recursos, a pasta coordenadora, o prazo de vigência e o cronograma por fase do campeonato. O próximo passo é a formalização do instrumento legal que autorize o gasto dentro do orçamento público.










