O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 618 milhões para a implantação de uma planta de etanol de cereais do Grupo Aroeira em Tupaciguara, no Triângulo Mineiro. O investimento total do projeto é de R$ 750 milhões, com o restante custeado por recursos próprios do grupo.
A unidade, que será operada pela Biomil Etanol Ltda., está em fase pré-operacional e deve iniciar as atividades em 2028. O projeto integra o complexo industrial já mantido pelo grupo no município, onde atua desde 2011 no segmento sucroenergético.
O financiamento foi estruturado em duas operações. A primeira reúne R$ 310 milhões do Fundo Clima e R$ 105,5 milhões da linha Finem, voltada a projetos de investimento de longo prazo. A segunda, de R$ 202,5 milhões, vem da linha BNDES Máquinas e Serviços, destinada à aquisição de equipamentos e sistemas industriais de produção.
A planta terá capacidade para produzir 146 milhões de litros de etanol de cereais por ano e processar 330 mil toneladas de grãos. O projeto representa uma diversificação da base produtiva do grupo, que historicamente opera com cana-de-açúcar, e deve ampliar a demanda por milho e sorgo na região.
Compromisso climático e diversificação setorial
A aprovação reforça o compromisso do BNDES com a indústria de biocombustíveis e a descarbonização da matriz energética brasileira. O Fundo Clima, presente na operação, financia projetos que contribuem para a redução de emissões de gases de efeito estufa e exige indicadores de desempenho ambiental ao longo da execução.
O etanol de cereais — produzido sobretudo a partir de milho e sorgo — tem ganhado espaço no país como alternativa à cana-de-açúcar, especialmente em regiões onde a safra de grãos é abundante. No Triângulo Mineiro, a nova planta se beneficia da infraestrutura logística e do parque esmagador de grãos já instalado, o que tende a reduzir custos de transporte e ampliar a eficiência operacional.
O Grupo Aroeira mantém operação em Tupaciguara desde 2011, com histórico na produção de açúcar e etanol anidro. A nova unidade marca a transição para uma matriz mais diversificada de biocombustíveis e amplia a base de produção no estado.
Próximos passos
Com o financiamento aprovado, o projeto avança para a fase de formalização contratual, que inclui a definição de garantias e o cronograma de desembolsos. A operação prevê condicionantes ambientais vinculadas ao Fundo Clima, que exigirão compliance e relatórios de desempenho ao longo da implantação.
O início das operações, previsto para 2028, dependerá do avanço das obras e da entrega de equipamentos. Quando em funcionamento, a planta deverá consolidar o Triângulo Mineiro como polo produtor de etanol de cereais, com efeitos sobre a oferta regional de combustível renovável e a cadeia de suprimento de grãos.











