terça-feira, 14 de julho de 2026
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Economia

Fitch: juros altos mantêm recuperação da inadimplência no varejo distante

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A inadimplência geral atingiu 4,7% em maio, recorde da série histórica do Banco Central.
  • O endividamento das famílias compromete 29,9% da renda, segundo a Confederação Nacional do Comércio.
  • A taxa média de juros ao consumidor está em 56,7% ao ano, apesar de a Selic ter caído para 14,25%.
  • Cartões de crédito próprios das redes varejistas são os mais afetados pela piora das carteiras.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou, em nota divulgada nesta terça-feira (14), que a recuperação plena da inadimplência no varejo brasileiro é um cenário distante. A avaliação reflete o endividamento elevado das famílias e os juros altos, que continuam a pressionar a qualidade das carteiras de crédito próprias das grandes redes.

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O alerta ocorre em um momento em que a inadimplência geral bateu recorde de 4,7% em maio, o maior patamar da série histórica do Banco Central, e o endividamento das famílias alcançou 29,9% da renda, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Os dados foram reportados pelo PIRANOT e pelo PIRANOT.

A nota da Fitch não traz projeções numéricas nem cita empresas específicas, mas reforça a percepção de que a qualidade das carteiras de crédito do setor — sobretudo os cartões private label — seguirá pressionada enquanto o custo do dinheiro permanecer elevado para o consumidor.

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Endividamento recorde e juros elevados pressionam varejo

O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano na última reunião do Copom, mas o juro médio cobrado do consumidor permanece em 56,7% ao ano, conforme mostrou o PIRANOT com base em dados da autoridade monetária. Esse patamar restringe o acesso ao crédito e alonga o ciclo de inadimplência, especialmente para bens duráveis, segmento central das grandes varejistas.

O endividamento recorde das famílias, que compromete quase 30% da renda, também limita a capacidade de consumo. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, apontou que 29,9% das famílias estavam endividadas em maio, o maior percentual da série histórica. A combinação de juros altos e orçamento apertado torna mais difícil a retomada das vendas a prazo, base do faturamento de redes de eletrodomésticos, móveis e vestuário.

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Cenário restritivo afeta consumo e balanços das empresas

Para os consumidores, a restrição ao crédito significa menos parcelamento sem juros e juros mais altos no rotativo do cartão, o que inibe compras de maior valor. As varejistas, por sua vez, precisam reforçar provisões para calotes, o que pressiona margens e pode levar a reavaliações de rating pela própria Fitch.

O ambiente de crédito restritivo já levou empresas de outros setores a buscar reestruturação de dívidas. A Oncoclínicas, por exemplo, protocolou recuperação extrajudicial de R$ 5,1 bilhões em julho, conforme noticiou o PIRANOT. Embora não seja do varejo, o caso ilustra a pressão que o crédito caro exerce sobre os balanços corporativos e acende um sinal de alerta para o setor.

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Agência não detalha projeções, e mercado aguarda dados de junho

A nota da Fitch não especificou um prazo para a normalização da inadimplência nem recomendou percentuais de provisão para devedores duvidosos (PDD). O relatório completo da agência, que pode trazer análises segmentadas por setor, ainda não foi divulgado.

O mercado agora volta as atenções para os dados de inadimplência de junho, que serão divulgados pelo Banco Central nas próximas semanas. Esses números indicarão se a trajetória de alta continua ou se há sinais de estabilização, o que pode calibrar as expectativas para o varejo no segundo semestre.

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