O Goldman Sachs registrou lucro líquido de US$ 6,63 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 78% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado pela volatilidade dos mercados e pelo aquecimento das fusões e aquisições.
O resultado, divulgado nesta terça-feira (14), superou as projeções de analistas consultados pela FactSet, que esperavam lucro por ação de US$ 14,50. O banco reportou lucro diluído por ação de US$ 20,98, ante US$ 10,91 um ano antes.
A receita líquida somou US$ 20,34 bilhões, crescimento de 39% na comparação anual, com destaque para a divisão de ações (equities), que atingiu receita recorde de US$ 7,42 bilhões. A área de banco de investimento gerou US$ 3,4 bilhões, refletindo o ritmo acelerado de fusões e aquisições e a estreia da SpaceX na bolsa.
Fatores que impulsionaram o lucro
A guerra no Oriente Médio e a consequente volatilidade nos preços do petróleo e nas taxas de juros levaram investidores a reavaliar portfólios, elevando o volume de negociações na mesa de ações do banco. O Goldman Sachs foi um dos principais coordenadores do IPO da SpaceX, que movimentou o mercado no fim do trimestre e ampliou as receitas com trading.
O movimento se soma a um cenário de forte atividade em fusões e aquisições, que já havia impulsionado outras gigantes. Em junho, o PIRANOT mostrou que a Alphabet captou US$ 80 bilhões em ações para financiar sua expansão em inteligência artificial, sinalizando o apetite do mercado por grandes operações.
Impacto no mercado e no Brasil
O conselho do Goldman Sachs aprovou aumento do dividendo trimestral, refletindo a confiança na geração de caixa. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado atingiu 23,5%, acima da média histórica do setor. As despesas operacionais, porém, subiram 26%, para US$ 11,67 bilhões, pressionadas por maiores gastos com remuneração e transações.
O desempenho do banco americano repercute indiretamente no mercado brasileiro. A dinâmica global de juros e fusões influencia as captações externas de empresas nacionais e o fluxo de investimentos estrangeiros na B3. A forte atividade em bancos de investimento globais tende a facilitar emissões de dívida e ações por companhias brasileiras no exterior.
O que esperar nos próximos meses
O resultado do segundo semestre dependerá da trajetória das taxas de juros nos Estados Unidos. O Federal Reserve ainda avalia novos ajustes, e qualquer sinal de aperto monetário pode reduzir a volatilidade que beneficiou as mesas de operações. O banco não detalhou o impacto financeiro direto de sanções ou restrições operacionais decorrentes da escalada de tensões no Oriente Médio.
A estratégia de diversificação para gestão de ativos e fortunas, que visa reduzir a dependência do trading, segue em curso, mas os números do trimestre mostram que as mesas de ações ainda são o principal motor de resultados. Analistas aguardam os próximos balanços para avaliar se o ritmo de crescimento é sustentável sem os ventos favoráveis da geopolítica e dos grandes IPOs.











