A Oncoclínicas protocolou nesta terça-feira (14) um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 5,1 bilhões em dívidas, enquanto a gestora IG4 Capital prepara uma proposta para ingressar na maior rede de tratamento de câncer do país.
O pedido, anunciado em fato relevante, já conta com a adesão de credores titulares de 37% dos créditos abrangidos, percentual suficiente para o ajuizamento. A companhia terá 90 dias para obter o quórum mínimo necessário à homologação do plano, que pode envolver capitalização, conversão de débitos e alongamento de prazos.
A crise financeira da Oncoclínicas se agravou nos últimos meses. Mesmo após um aporte de R$ 1,5 bilhão realizado por investidores em 2024, a companhia continuou queimando caixa. No primeiro trimestre de 2026, registrou Ebitda negativo de R$ 49,2 milhões. As ações ONCO3, que já valeram mais de R$ 10 em 2021, fecharam a R$ 0,76 na véspera do anúncio. Em 18 de junho, o PIRANOT noticiou que a rede já discutia uma recuperação extrajudicial com credores, em meio a uma dívida bilionária.
Gestora de turnaround mira Oncoclínicas
A IG4 Capital, gestora especializada em empresas em dificuldades, deve apresentar uma proposta de reestruturação, conforme apuração da imprensa. A entrada de um fundo de turnaround sinaliza que investidores enxergam valor na operação da rede, que atende milhares de pacientes oncológicos em todo o Brasil.
A IG4 já atua em grandes reestruturações. Em junho, o PIRANOT mostrou que a gestora preparava oferta por créditos da Raízen, em recuperação extrajudicial de R$ 64,7 bilhões. A experiência da IG4 pode ser crucial para destravar um plano que equilibre os interesses de bancos, detentores de títulos e acionistas.
Efeitos sobre pacientes e credores
A recuperação extrajudicial suspende temporariamente execuções e vencimentos antecipados, mas não paralisa as atividades. A Oncoclínicas informou que continuará operando normalmente. No entanto, a crise já provocou desabastecimento de quimioterápicos em algumas unidades no início de 2026, conforme relatos de pacientes e planos de saúde.
Para os credores, o plano ainda não detalhou as condições de pagamento. Os bancos e detentores de títulos terão de decidir se aderem à proposta ou litigam. A companhia não divulgou a lista dos maiores credores, mas a dívida de R$ 5,1 bilhões inclui débitos financeiros e créditos intercompany. A crise da Oncoclínicas reflete a pressão financeira sobre o setor de saúde suplementar, que enfrenta alta sinistralidade e reajustes de planos de saúde.
Próximos passos
A companhia tem 90 dias para obter a adesão de credores que representem mais de 50% dos créditos, conforme a lei. A IG4 deve formalizar sua proposta nesse período. A homologação judicial do plano vinculará todos os credores, inclusive os dissidentes, se atingido o quórum.
A Oncoclínicas não divulgou os termos da proposta da IG4 nem o cronograma detalhado da reestruturação. O mercado acompanha se a entrada da gestora será suficiente para estabilizar a operação e retomar a confiança de pacientes e investidores.











