O vídeo em que Michelle Bolsonaro critica Flávio Bolsonaro (PL) teve repercussão muito superior à carta aberta de Jair Bolsonaro nas redes sociais. Levantamento da Nexus registra 132% mais engajamento e alcance 240% maior no X para a publicação da ex-primeira-dama, em um momento de exposição pública da crise na família Bolsonaro.
A comparação coloca números na disputa de narrativa dentro do bolsonarismo. O vídeo de Michelle acumulou 3,9 milhões de interações e 18,9 milhões de impressões. A carta de Jair Bolsonaro, lida por Flávio no sábado (11), somou 1,6 milhão de interações e 7,9 milhões de impressões.
A análise considerou uma amostra de 62 mil menções no X entre as 12h de sábado (11) e as 12h de segunda-feira (13). O recorte mostra que a tentativa de reorganizar o discurso público em torno da carta teve desempenho menor do que a reação provocada pelo vídeo de Michelle, publicado em 24 de junho.
Michelle ganha tração enquanto carta de Jair perde força
O resultado reforça a centralidade de Michelle no ambiente digital bolsonarista. Mesmo sem cargo eletivo, a ex-primeira-dama conseguiu mobilizar uma audiência maior do que a mensagem atribuída a Jair Bolsonaro, ainda tratado como principal referência política do grupo.
A diferença também pesa sobre Flávio Bolsonaro. A carta foi lida por ele em meio à briga pública com Michelle e buscava reduzir a temperatura da crise. Nas redes, porém, o conteúdo não alcançou o mesmo patamar de circulação do vídeo que havia exposto a divergência.
Para o PL, o episódio amplia a pressão sobre a definição de protagonismo na oposição e sobre a estratégia para 2026. A disputa deixou de ser apenas familiar: os números mostram que, no campo digital, Michelle hoje tem capacidade própria de pautar a base bolsonarista.
O próximo efeito prático será medido na reação do partido e dos aliados de Jair Bolsonaro. A carta não encerrou a crise nas redes, e o desempenho do vídeo mantém Michelle como uma força incontornável na pré-campanha da direita.











