A Thomson Reuters anunciou nesta terça-feira (14) a venda de 51% de sua divisão global de publicações impressas para a gestora americana KKR, em uma transação de US$ 500 milhões. A companhia manterá 49% de participação e o controle editorial dos títulos que compõem o portfólio.
O acordo, confirmado em comunicado conjunto divulgado pelas duas empresas, prevê a formação de uma joint venture que assumirá a operação de publicações impressas em todo o mundo. O fechamento está previsto para o quarto trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias em múltiplas jurisdições.
A agência de notícias Reuters não integra a transação e permanece sob controle integral da Thomson Reuters — ponto que o comunicado oficial afirma para evitar interpretações equivocadas no mercado. A venda envolve exclusivamente o negócio de publicações impressas, que inclui revistas jurídicas, compilações legislativas e outros títulos especializados distribuídos em dezenas de países.
Guinada digital e aposta em inteligência artificial
A alienação do controle da divisão impressa é o passo mais recente de uma migração estratégica que a Thomson Reuters persegue há mais de uma década. A empresa tem transferido seus produtos de bases de dados físicas para ecossistemas digitais baseados em nuvem e, nos últimos dois anos, para assistentes de inteligência artificial generativa voltados aos setores jurídico e corporativo.
Em 2025, a companhia demitiu engenheiros de software tradicionais e abriu vagas para profissionais especializados em IA, movimento que sinalizou a prioridade da nova gestão. A joint venture com a KKR libera capital e foco para que a Thomson Reuters concentre investimentos em ferramentas de IA — seu core business atual — enquanto a gestora americana assume a operação do negócio impresso.
O que muda para o mercado jurídico brasileiro
No Brasil, a Thomson Reuters controla a Editora Revista dos Tribunais, selo centenário responsável pela publicação da Revista dos Tribunais e de outras obras de referência para escritórios de advocacia, departamentos jurídicos de empresas e tribunais. A operação brasileira está entre as mais relevantes da divisão Global Print na América Latina.
O comunicado oficial não especifica como a joint venture afetará as subsidiárias internacionais. A Thomson Reuters não detalhou se a Editora Revista dos Tribunais será transferida para a nova empresa controlada pela KKR ou se permanecerá sob gestão direta da companhia. A assessoria de imprensa da Thomson Reuters no Brasil não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.
A transação integra um ciclo de reorganização de ativos no setor de informação e tecnologia. O PIRANOT mostrou em junho que os fundos Bain e Advent avançaram para assumir o controle da Amil em operação de R$ 17 bilhões, outro movimento de grande porte envolvendo mudança de controle acionário.
Próximos passos
A conclusão da transação depende de aprovações regulatórias e está sujeita a condições usuais de fechamento. O prazo estimado é o quarto trimestre de 2026. Até lá, a Thomson Reuters continuará operando a divisão Global Print sem alterações na gestão.
A KKR, gestora com mais de US$ 500 bilhões em ativos, não detalhou planos para as operações impressas após a aquisição. O mercado aguarda definições sobre o futuro das marcas editoriais que abastecem escritórios e tribunais em dezenas de países — incluindo os títulos jurídicos que formam a base de consulta de profissionais do direito no Brasil.











