A avaliação do governo Lula entrou em terreno mais adverso no novo levantamento Futura/Apex divulgado nesta terça-feira (14). A desaprovação da gestão chegou a 49,7%, enquanto a aprovação caiu para 46,0%, resultado que recoloca o Palácio do Planalto sob pressão no momento em que a disputa presidencial de 2026 aparece mais apertada.
No cenário de segundo turno testado pela pesquisa, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46,3% das intenções de voto, praticamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registra 46,1%. A diferença de 0,2 ponto percentual indica um empate técnico e dá novo peso político ao nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro dentro do campo de oposição.
Os dois dados caminham na mesma direção: além de ver a desaprovação superar a aprovação, Lula não abre vantagem no confronto direto contra Flávio. Para o governo, o alerta está menos na fotografia isolada e mais na combinação entre desgaste administrativo e equilíbrio eleitoral em uma disputa ainda distante, mas já tratada como eixo da política nacional.
Desaprovação pesa sobre cenário de 2026
A marca de 49,7% de desaprovação reforça a dificuldade do governo em consolidar maioria favorável após uma sequência de embates com o Congresso e anúncios de medidas econômicas voltadas ao consumo, como a linha de R$ 30 bilhões em crédito para motoristas financiarem carro novo. A pesquisa, porém, mede intenção de voto e avaliação de governo; não estabelece relação direta entre eventos políticos recentes e a variação dos números.
O resultado também amplia a pressão sobre a estratégia eleitoral do PT. Com 46,3%, Lula mantém uma base competitiva, mas deixa de aparecer como favorito folgado no cenário testado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, chega a 46,1% e se apresenta como alternativa viável da oposição em uma eventual disputa nacional, ainda que o quadro partidário de 2026 permaneça em formação.
Disputa vinha oscilando em levantamentos recentes
O empate técnico da Futura/Apex se soma a outros retratos recentes de uma eleição aberta. Em levantamento divulgado em 8 de julho, Lula aparecia com 45% contra 40% de Flávio Bolsonaro. Em junho, outro cenário mostrava o senador à frente do presidente, com 44,7% das intenções de voto.
Essa sucessão de números indica uma disputa instável, sem domínio confortável de nenhum dos lados. Para Lula, a prioridade passa a ser conter a rejeição ao governo e recuperar vantagem entre eleitores que ainda oscilam entre aprovação administrativa e voto. Para Flávio, o desafio é transformar empate técnico em musculatura política nacional, especialmente fora do eleitorado bolsonarista mais fiel.
Na prática, a pesquisa desloca a discussão de 2026 para dois pontos centrais: a capacidade do governo de reduzir a desaprovação nos próximos meses e a força real de Flávio Bolsonaro como nome competitivo no segundo turno. Enquanto esses indicadores não se separam com clareza, o cenário permanece travado em uma disputa de alta polarização.











