Antonio Ubaldo Rattín, ex-volante, capitão da seleção argentina e um dos grandes ídolos do Boca Juniors, morreu neste sábado (11), aos 89 anos. O clube argentino anunciou a morte do ex-jogador em nota de pesar e não informou a causa.
Rattín atravessou a história do Boca sem trocar de camisa. Entre 1956 e 1970, disputou 382 partidas e marcou 28 gols pelo clube de Buenos Aires. Virou referência de liderança, conquistou títulos, usou a braçadeira de capitão e teve a ligação com a torcida eternizada em 2018, quando ganhou uma estátua na Bombonera.
No futebol mundial, porém, seu nome ficou associado a um episódio que ultrapassou a rivalidade entre argentinos e ingleses. Em 23 de julho de 1966, nas quartas de final da Copa do Mundo, Rattín foi expulso pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein durante a derrota da Argentina por 1 a 0 para a Inglaterra, em Wembley.
O argentino contestou a decisão e demorou a deixar o gramado. Alegava não compreender a ordem do árbitro, que não falava espanhol. A confusão expôs um problema simples e decisivo para o jogo: faltava ao futebol um código visual universal para advertências e expulsões, capaz de superar barreiras de idioma em partidas internacionais.
Da Bombonera a Wembley
A cena em Wembley se tornou uma das mais lembradas da Copa de 1966 e ajudou a impulsionar a adoção dos cartões amarelo e vermelho pela FIFA. O sistema estreou no Mundial de 1970 e passou a padronizar a comunicação dos árbitros com jogadores, comissões técnicas e torcedores.
Antes disso, advertências e expulsões dependiam de gestos, conversas e interpretações em campo. O caso de Rattín virou exemplo clássico de como uma decisão disciplinar podia se transformar em crise quando árbitro e jogador não compartilhavam o mesmo idioma.
Capitão da Argentina e símbolo do Boca
Pela seleção argentina, Rattín disputou as Copas do Mundo de 1962 e 1966. Na Inglaterra, era o capitão de uma equipe que parou nas quartas de final diante dos donos da casa, futuros campeões daquele torneio.
No Boca, sua imagem permaneceu ligada à ideia de entrega e comando no meio-campo. A homenagem na Bombonera, décadas depois de sua aposentadoria, consolidou o lugar do ex-volante entre os personagens mais marcantes da história xeneize.
A morte de Rattín fecha uma trajetória que começou como história de clube e terminou inscrita nas regras do futebol. O lance de 1966 segue vivo em cada advertência mostrada por um árbitro: primeiro o amarelo, depois o vermelho.











