O bitcoin voltou ao patamar de US$ 64 mil nesta sexta-feira (10), em uma recuperação puxada pela melhora do apetite por risco nas bolsas americanas. A alta acompanha o avanço de ações de tecnologia e devolve parte das perdas registradas no início da semana, quando a criptomoeda chegou a US$ 61 mil em meio à tensão entre Estados Unidos e Irã.
O movimento mostra como o bitcoin segue sensível aos mesmos vetores que mexem com outros ativos de risco: juros americanos, desempenho da Nasdaq e choques geopolíticos. Depois de uma sequência de quedas, a retomada levou a criptomoeda a acumular alta de cerca de 4% em sete dias, mas ainda sem romper a faixa que o mercado vê como necessária para confirmar uma virada mais consistente.
Crise entre EUA e Irã derruba preço antes da recuperação
A pressão vendedora ganhou força na terça-feira (8), quando Donald Trump afirmou que os Estados Unidos não renovariam o alívio de sanções ao Irã. A declaração reativou o temor de escalada no Oriente Médio e empurrou investidores para uma postura mais defensiva, com redução de exposição a criptomoedas e outros ativos voláteis.
Naquele pregão, o bitcoin ampliou a queda até a região de US$ 61 mil, o menor nível em duas semanas. A reação desta sexta não apaga a volatilidade recente: em 22 de junho, a moeda digital havia chegado a US$ 65.555, antes de perder força; em 29 de junho, a saída de US$ 444 milhões de ETFs de bitcoin ajudou a pressionar a cotação para baixo de US$ 60 mil.
Nasdaq volta a puxar criptomoedas
A recuperação desta sexta veio no rastro da melhora dos índices americanos, especialmente os ligados a tecnologia. Essa correlação se intensificou desde a entrada de investidores institucionais por meio dos ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos, que aproximaram a dinâmica das criptomoedas da lógica dos grandes fundos globais.
Quando a Nasdaq sobe, o bitcoin tende a se beneficiar do mesmo fluxo que busca crescimento e maior risco. Quando aumentam as dúvidas sobre juros, inflação ou conflitos internacionais, a criptomoeda costuma sofrer com a redução de posições especulativas. A aprovação de opções de índice de bitcoin na Nasdaq pela SEC, em junho, ampliou esse vínculo com o mercado financeiro tradicional.
Resistência em US$ 65.555 vira teste para nova alta
O próximo teste do bitcoin está na região de US$ 65.555, nível alcançado em junho e que passou a funcionar como resistência técnica. Uma superação sustentada desse patamar reforçaria a leitura de retomada; uma nova rejeição pode manter a moeda presa ao vaivém das últimas semanas.
O mercado também acompanha os próximos dados de inflação dos Estados Unidos, que podem alterar as expectativas para a política de juros do Federal Reserve. Juros mais altos tornam ativos de risco menos atraentes, enquanto sinais de alívio monetário costumam favorecer bolsas, tecnologia e criptomoedas.
Por ora, a recuperação recoloca o bitcoin acima de US$ 64 mil, mas não elimina o principal ponto de atenção: a criptomoeda precisa confirmar força acima da resistência recente enquanto investidores medem o impacto combinado de tecnologia, Fed e tensão geopolítica.











