Uma pesquisa com 500 executivos de alto escalão no Brasil revela que 93% estão abertos a novas oportunidades de trabalho, e 42% buscam ativamente uma mudança, impulsionados por preocupações com saúde mental e transparência. O dado, divulgado neste sábado (11) pela consultoria Page Executive, coincide com um recorde de afastamentos por transtornos mentais registrado pela Previdência Social em 2025: 546 mil licenças, alta de 15% em relação ao ano anterior.
O levantamento ouviu 500 líderes seniores e C-level. Além dos 42% que procuram ativamente uma nova posição, outros 51% se dizem abertos a propostas, totalizando 93% da amostra. Os principais motivadores citados são o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, a saúde mental e a transparência das organizações.
Os números da Previdência reforçam a urgência do tema. Em 2025, os afastamentos por transtornos mentais e comportamentais atingiram 546 mil, o maior patamar já registrado. O crescimento de 15% em um ano acende o alerta sobre o custo humano e econômico do esgotamento profissional, que não se restringe à base da pirâmide corporativa.
Bem-estar vira critério de retenção no topo
A insatisfação dos líderes com a cultura organizacional tem levado empresas a repensar políticas de bem-estar. Na 26ª edição do Prêmio Executivo de Valor, em junho, o bem-estar corporativo foi tema de uma homenagem inédita, promovida pelo Wellhub. Executivos do Mercado Livre, iFood e outras companhias foram reconhecidos por fortalecer a saúde e a qualidade de vida nas equipes.
Apesar dessas iniciativas, a pesquisa da Page Executive sugere que as ações ainda não são suficientes para reter talentos no topo. A transparência sobre metas e a flexibilidade real no trabalho aparecem como demandas centrais dos executivos.
Falta de dados abertos limita diagnóstico
A correlação entre a saúde mental de líderes e os afastamentos previdenciários ainda carece de dados públicos detalhados. O Ministério da Previdência Social não divulga o recorte por cargo ou setor, o que impede uma análise precisa do impacto entre gestores. Da mesma forma, uma pesquisa com 427 profissionais de RH, noticiada pela imprensa neste sábado, não teve sua metodologia e autoria integralmente reveladas, limitando a capacidade de cruzar informações.
Especialistas em saúde do trabalho defendem que a transparência é essencial para que empresas e governo possam desenhar políticas eficazes. Sem dados abertos, o debate sobre burnout na liderança corre o risco de se basear em percepções, e não em evidências.
Enquanto os números da Previdência pressionam o sistema, a disposição dos executivos em deixar seus cargos sinaliza que o custo da inação pode ser alto para as empresas. A próxima etapa, avaliam analistas, é a cobrança por métricas claras de bem-estar nos balanços corporativos e a integração desses indicadores às políticas de retenção de talentos.











