Ken Bates, ex-presidente do Chelsea e um dos dirigentes mais influentes da história recente do clube, morreu aos 94 anos em Mônaco. O Chelsea anunciou a morte neste sábado (11) e informou que o empresário britânico estava ao lado da mulher e de familiares. A causa não foi divulgada.
Bates entrou para a memória do futebol inglês por uma operação que parecia improvável mesmo para os padrões turbulentos dos anos 1980: em 1982, comprou o Chelsea por £1, valor equivalente a cerca de R$ 6,85 na cotação atual. O clube londrino acumulava dívidas, enfrentava risco financeiro severo e ainda não tinha a dimensão global que alcançaria nas décadas seguintes.
A gestão de Bates durou mais de duas décadas, de 1982 a 2003, e mudou o patamar do Chelsea. O dirigente conduziu a recuperação financeira, defendeu a permanência do clube em Stamford Bridge e liderou um período de reconstrução que devolveu competitividade à equipe antes da chegada do dinheiro de Roman Abramovich.
De clube ameaçado a vitrine da Premier League
Quando Bates assumiu, o Chelsea estava distante da elite que viria a ocupar no século 21. A prioridade era manter o clube de pé, reorganizar as contas e proteger seu estádio em meio a disputas financeiras. A recuperação de Stamford Bridge se tornou uma das marcas de sua passagem e ajudou a preservar a identidade do time no oeste de Londres.
O retorno esportivo veio nos anos 1990. Sob sua presidência, o Chelsea conquistou a Copa da Inglaterra em 1997 e 2000, a Copa da Liga em 1998 e a Recopa Europeia também em 1998. Os títulos recolocaram o clube no mapa europeu e prepararam o terreno para a transformação comercial que viria depois.
Em 2003, Bates vendeu o Chelsea a Roman Abramovich por £140 milhões. A transação encerrou sua era no comando e abriu a fase mais vitoriosa da história do clube, marcada por investimentos pesados, cinco títulos da Premier League e duas conquistas da Liga dos Campeões nas décadas seguintes.
A trajetória de Bates combina recuperação financeira, decisões impopulares e impacto duradouro. Para o Chelsea, sua morte encerra a vida do dirigente que comprou um clube em crise por uma libra e o entregou, 21 anos depois, pronto para virar uma potência mundial.











