A XP Investimentos manteve a projeção de crescimento de 2,0% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 e passou a trabalhar com um cenário de alívio gradual nos juros. A casa estima que o dólar termine o ano cotado a R$ 5,00 e que a taxa Selic encerre 2026 em 14,00% ao ano.
A mudança mais relevante está na inflação. A XP reduziu a estimativa para o IPCA de 5,5% para 5,2%, movimento que abriu espaço para a projeção de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). Mesmo com a revisão, a inflação esperada segue acima do teto da meta, de 4,5%, o que limita a velocidade de queda dos juros.
O cenário combina atividade ainda positiva, inflação menor e política monetária apertada por mais tempo. Na prática, a XP vê uma economia crescendo em ritmo moderado, sem recessão, mas ainda sob o peso de uma Selic em dois dígitos. Para famílias e empresas, isso significa crédito caro por mais alguns meses, ainda que com perspectiva de redução gradual do custo de financiamento.
Inflação menor dá espaço para o Copom
A aposta em corte de juros em agosto depende da continuidade da desaceleração dos preços. Com IPCA projetado em 5,2%, a XP indica que o Banco Central teria margem para iniciar um ciclo cauteloso de afrouxamento monetário, sem abandonar a postura restritiva.
O tamanho do corte previsto, de 0,25 ponto percentual, reforça essa leitura. Não se trata de uma virada brusca na política monetária, mas de um primeiro movimento para testar a consistência da inflação menor e a reação das expectativas do mercado.
Dólar a R$ 5,00 ainda não elimina pressão cambial
No câmbio, a XP projeta o dólar a R$ 5,00 no fim de 2026. A estimativa sugere um patamar mais comportado para a moeda americana, mas não afasta riscos no horizonte seguinte: a casa vê possibilidade de o dólar chegar a R$ 5,30 em 2027, em meio a incertezas políticas e a uma eventual queda nos preços de commodities.
Para consumidores, um dólar perto de R$ 5,00 tende a aliviar parte da pressão sobre produtos importados e viagens internacionais, embora o efeito dependa também de impostos, custos logísticos e margens do varejo. Para exportadores, uma moeda americana mais baixa reduz parte da vantagem cambial, especialmente em setores ligados a commodities.
PIB nacional fica abaixo de projeção para Tocantins
A projeção nacional de crescimento de 2,0% contrasta com estimativas regionais mais fortes. No Tocantins, o governo estadual prevê avanço de 3,85% do PIB em 2026, impulsionado por investimentos em infraestrutura e pelo agronegócio. A diferença mostra como a média brasileira pode esconder desempenhos locais mais acelerados.
O ponto central para os próximos meses será a combinação entre inflação corrente, atividade e câmbio. Se os preços confirmarem a desaceleração, o Copom terá mais espaço para iniciar o corte de juros em agosto; se houver nova pressão inflacionária ou cambial, a Selic pode permanecer elevada por mais tempo.
Até a reunião de agosto, os novos dados de inflação e atividade devem orientar a decisão do Banco Central. Por ora, o cenário da XP aponta para crescimento moderado, dólar a R$ 5,00 e início cauteloso de redução da Selic, sem queda rápida do custo do dinheiro.











