sábado, 11 de julho de 2026
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Política

Motta acusa STF de criminalizar política após bloqueio de R$ 119 mi de Valdemar

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A decisão de Flávio Dino suspendeu 21 emendas parlamentares apontadas como irregulares pela Polícia Federal
  • Valdemar Costa Neto não exerce mandato parlamentar, mas teria indicado as emendas, segundo a investigação
  • O valor bloqueado equivale a 3,29% do orçamento de Piracicaba (SP) para 2026, estimado em R$ 3,62 bilhões
  • A defesa de Valdemar nega irregularidades e afirma que a sugestão de emendas por dirigentes partidários é prática comum
  • O caso reacende o embate entre Legislativo e Judiciário sobre os limites da fiscalização das emendas parlamentares

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiu à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e suspendeu 21 emendas parlamentares investigadas pela Polícia Federal.

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Em nota divulgada neste sábado (11), Motta classificou a medida como “indevida intervenção judicial” e disse ver uma tentativa de “criminalizar a atividade política”. Para o presidente da Câmara, a decisão não aponta desvio, abuso ou aplicação irregular de recursos públicos e interfere na autonomia do Legislativo na execução de emendas.

O caso abre um novo foco de tensão entre Câmara e STF em torno das emendas parlamentares, tema que já vinha pressionando a relação entre os Poderes. A investigação da PF apura se Valdemar, mesmo sem mandato eletivo, influenciou a indicação de recursos públicos por meio de emendas de comissão.

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O que Dino determinou

Flávio Dino determinou o bloqueio de bens de Valdemar até o limite de R$ 119 milhões e a suspensão de 21 emendas parlamentares. As medidas atingem emendas de comissão, modalidade em que a destinação dos recursos passa por colegiados temáticos da Câmara.

A suspeita investigada é que o dirigente do PL tenha participado da definição de emendas apesar de não exercer mandato parlamentar. Valdemar deixou a Câmara em 2013, quando renunciou ao cargo de deputado federal durante o julgamento do mensalão.

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O ponto sensível da decisão é a fronteira entre articulação política e controle judicial sobre a destinação de dinheiro público. O STF vem cobrando mais rastreabilidade, transparência e critérios objetivos para a execução de emendas, especialmente depois de sucessivas disputas sobre o chamado orçamento secreto e suas modalidades posteriores.

A reação de Motta

Na nota, Motta afirmou que a decisão “limita-se a inferições” e sustentou que a alocação das emendas está “em plena conformidade com as normas regimentais”. O presidente da Câmara também disse que a Casa colaborou com as investigações e criticou o que considera uma invasão da esfera de atuação do Parlamento.

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“Torna-se inaceitável, tendo em vista que a alocação das emendas está em plena conformidade com as normas regimentais”, diz o texto divulgado por Motta. A manifestação coloca o comando da Câmara em defesa de um dos principais líderes partidários do país e transforma uma decisão cautelar do STF em embate institucional.

Defesa de Valdemar nega irregularidade

A defesa de Valdemar nega irregularidades e afirma que dirigentes partidários costumam sugerir a destinação de emendas. O próprio presidente do PL disse que presidentes de partidos fazem esse tipo de indicação e resumiu a prática como parte da atividade política.

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A linha de defesa tenta enquadrar a atuação de Valdemar como articulação partidária, não como comando irregular sobre verbas públicas. Já a investigação busca esclarecer se houve influência indevida na indicação das emendas e se os recursos seguiram os critérios exigidos de transparência e finalidade pública.

O próximo passo é a reação jurídica à decisão de Dino. A defesa de Valdemar deve recorrer, e o caso pode ser submetido ao plenário do STF, que poderá manter, modificar ou derrubar as medidas cautelares. Até lá, o bloqueio de R$ 119 milhões e a suspensão das 21 emendas continuam no centro da disputa entre fiscalização judicial e autonomia do Congresso.


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