O Departamento de Justiça dos Estados Unidos intimou repórteres do The New York Times a depor perante um grande júri federal em Manhattan depois da publicação de reportagens sobre falhas de segurança no novo avião presidencial usado como Air Force One, um Boeing 747-8 doado pelo Catar.
As intimações foram assinadas pelo procurador federal Jay Clayton e entregues pessoalmente a jornalistas em suas residências. A medida coloca a administração Trump em confronto direto com organizações de liberdade de imprensa, que veem na convocação uma tentativa de pressionar repórteres a revelar fontes de uma matéria de interesse público.
O Departamento de Justiça não detalhou publicamente os nomes dos profissionais nem o conteúdo das perguntas previstas para o depoimento. Em nota, afirmou que “todas as administrações lidam com o crime de vazamento de informações classificadas”, sinalizando que trata o episódio como parte de uma investigação sobre divulgação de dados sigilosos.
Reportagem sobre jato do Catar vira alvo de grande júri
A reportagem que desencadeou a reação oficial apontou vulnerabilidades no sistema de comunicação e defesa do Boeing 747-8 adaptado para transportar o presidente. O avião, apresentado como substituto do tradicional VC-25A, já havia entrado no centro de uma controvérsia política por ter sido recebido do governo do Catar e preparado sob pressão de prazo.
O ponto sensível para a Casa Branca é a origem das informações sobre a aeronave. Para defensores da liberdade de imprensa, porém, a convocação de jornalistas perante um grande júri atravessa uma linha perigosa: transforma a busca por fontes em instrumento de coerção estatal e pode inibir reportagens sobre segurança nacional.
O Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa afirmou que as intimações representam “um ataque direto ao jornalismo investigativo”. A entidade confirmou que os alvos são profissionais do Times e passou a tratar o caso como um teste relevante para as garantias da Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão e de imprensa nos Estados Unidos.
Times promete resistir e caso pode ir aos tribunais
Os jornalistas foram convocados a comparecer na quarta-feira (15). O Times declarou que “resistirá vigorosamente” às intimações, caminho que pode levar a disputa aos tribunais caso os repórteres se recusem a responder perguntas sobre suas fontes.
Se a investigação federal sustentar que houve vazamento de informação classificada, o governo pode enquadrar o caso em leis mais duras de segurança nacional. A defesa dos jornalistas, por outro lado, tende a argumentar que obrigar repórteres a depor sobre a origem de informações publicadas cria precedente de intimidação contra a imprensa.
O próximo passo concreto é a sessão marcada em Manhattan. A partir dela, o Judiciário poderá definir se o governo consegue avançar sobre o sigilo de fonte ou se a proteção constitucional à atividade jornalística limita o alcance das intimações.











