Quatro senadores dos Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (10) um acordo com o governo de Donald Trump para destravar um projeto de lei que impõe sanções severas a países que compram petróleo e gás da Rússia, incluindo uma tarifa de 500% sobre as importações.
O anúncio ocorre exatamente um ano após a apresentação original da proposta no Senado e sinaliza um raro consenso bipartidário em Washington. A medida tem como alvo a principal fonte de financiamento do Kremlin diante da guerra na Ucrânia: as exportações de combustíveis fósseis.
Em comunicado conjunto, os senadores Richard Blumenthal (democrata), Lindsey Graham (republicano), Jeanne Shaheen (democrata) e Roger Wicker (republicano) afirmaram que o acordo com a Casa Branca permitirá “atualizar a legislação sobre sanções à Rússia” e que esperam que a tramitação “ocorra em breve”. A Casa Branca, no entanto, ainda não detalhou sua posição oficial sobre a tarifa de 500%.
O senador Lindsey Graham, um dos articuladores da proposta, trabalha no texto há meses. A lei bipartidária, se aprovada, representará um endurecimento significativo em relação às sanções já existentes, ao mirar não apenas a Rússia, mas também os países que mantêm negócios com Moscou no setor de energia.
O peso da tarifa de 500% e o alvo no petróleo
A proposta original, apresentada em 10 de julho de 2025, prevê sanções contra qualquer país que faça negócios com a Rússia no setor de energia. A tarifa de 500% funcionaria como uma sobretaxa punitiva sobre importações vindas dessas nações, o que poderia desestimular compras de petróleo russo e redirecionar fluxos comerciais.
Embora a lista de países potencialmente afetados não tenha sido divulgada, a simples perspectiva de novas restrições já pressiona as cotações internacionais. A Rússia é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, e qualquer ameaça à sua capacidade de vender o produto tende a elevar os preços da commodity.
Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, os Estados Unidos e aliados europeus impuseram uma série de sanções econômicas contra a Rússia, com foco em restringir o acesso de Moscou a receitas de petróleo e gás. A nova lei, se aprovada, representaria um endurecimento significativo, ao mirar não apenas a Rússia, mas também os países que mantêm negócios com ela.
O reflexo no bolso do brasileiro
O Brasil, como importador líquido de petróleo e derivados, é diretamente sensível às oscilações do mercado global. Um aumento sustentado do barril pode se traduzir em reajustes nos combustíveis e pressionar a inflação, afetando desde o preço da gasolina até o custo do transporte de alimentos.
No Brasil, o impacto de uma alta do petróleo é sentido rapidamente. A gasolina e o diesel têm seus preços atrelados ao mercado internacional, e o aumento do barril pressiona a inflação, corroendo o poder de compra das famílias e elevando os custos de produção. Em 2022, o choque do petróleo levou a inflação brasileira a dois dígitos.
O movimento dos senadores americanos se soma a uma série de intervenções do governo Trump no tabuleiro energético mundial. Em junho, o PIRANOT mostrou como o acordo com o Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz já mexia com as cotações e acendia alertas sobre a volatilidade do petróleo.
O projeto de lei ainda precisa ser votado nas duas casas do Congresso americano. Enquanto isso, o mercado acompanha os próximos passos da Casa Branca, que ainda não se manifestou oficialmente sobre a tarifa de 500%.








