Sebastian Priaulx confirmou participação nos testes de desenvolvimento do Ford Hypercar, etapa que coloca o novo protótipo da marca pela primeira vez no centro do trabalho de pista previsto para agosto. O britânico integra o programa que prepara o retorno da Ford à briga principal do Mundial de Endurance a partir de 2027.
A movimentação marca a passagem do projeto de uma fase concentrada em engenharia, simulação e definição de equipe para um ciclo mais concreto de validação dinâmica. Na prática, é o momento em que o carro começa a transformar dados de bancada e simulador em comportamento real: refrigeração, respostas do conjunto híbrido, durabilidade, equilíbrio aerodinâmico, consumo e acerto de pneus passam a ser medidos em condições de pista.
Priaulx assume papel central no desenvolvimento
Priaulx chega a essa fase como piloto de desenvolvimento, função menos visível que a de titular de corrida, mas decisiva em um programa de endurance. É ele quem ajuda a traduzir o comportamento do carro para os engenheiros, aponta reações em frenagem, tração e mudanças de direção e compara o que aparece na pista com os modelos construídos no simulador.
A Ford Performance também iniciou a integração de novos pilotos ao desenvolvimento do Hypercar. Parte desse trabalho ocorre no simulador, onde a equipe antecipa cenários de acerto e cria uma base comum antes de ampliar a quilometragem real. Esse processo é especialmente importante no WEC, categoria em que os carros precisam combinar desempenho de classificação, ritmo de corrida, confiabilidade e eficiência ao longo de provas longas.
Projeto mira Le Mans e temporada de 2027
O Ford Hypercar foi desenhado para recolocar a montadora na disputa pela vitória geral nas 24 Horas de Le Mans, objetivo mais simbólico e mais pesado do programa. A estreia está prevista para a temporada de 2027 do Campeonato Mundial de Endurance, o que deixa a marca com uma janela apertada para completar desenvolvimento, homologação, definição de elenco e preparação operacional.
O projeto faz parte da atual era dos protótipos de topo do endurance, em que fabricantes globais voltaram a investir em carros capazes de disputar o WEC e Le Mans com regulamentos de custo mais controlado e forte presença de tecnologia híbrida. Para a Ford, o retorno tem peso esportivo e de imagem: Le Mans é parte central da memória da marca no automobilismo, e uma campanha competitiva exige acerto técnico desde os primeiros testes.
Entre os nomes ligados ao programa está Matt Campbell, que aparece no planejamento da Ford para 2027. A composição do grupo reforça a estratégia de misturar experiência em provas de longa duração, velocidade em protótipos e conhecimento acumulado em carros de GT, combinação comum em projetos que nascem com ambição de vencer em Le Mans.
Agosto abre a fase que separa promessa de carro de corrida
Os testes de agosto não definem sozinhos o potencial do Ford Hypercar, mas inauguram a etapa em que o projeto passa a ser cobrado por dados objetivos de pista. Cada sessão tende a orientar mudanças de software, acerto mecânico, mapas de energia e rotinas de operação entre pilotos e engenheiros.
O próximo passo da Ford é acumular quilometragem, ampliar a integração dos pilotos e transformar o protótipo em um pacote confiável para 2027. Para Priaulx, a participação nos primeiros testes o coloca no centro da construção do carro que levará a marca de volta à disputa principal do WEC.











