A compra da mineradora brasileira Serra Verde pela americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, anunciada no fim de abril, expôs a urgência dos Estados Unidos em garantir acesso às terras raras do Brasil. O negócio ocorre às vésperas do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, previsto para quinta-feira (7), quando o tema será central.
A reunião acontece em meio à disputa global por insumos essenciais para tecnologias limpas e defesa. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses minerais, mas ainda explora pouco esse potencial, segundo dados oficiais.
O Planalto ainda alinha detalhes da agenda com a Casa Branca, e o encontro não foi confirmado oficialmente. Lula deve viajar acompanhado do ministro da Fazenda, Dario Durigan, mas sem um time robusto de negociadores, conforme fontes próximas relataram.
Minerais críticos no centro da negociação
A proposta americana pressiona por definições que podem reconfigurar o setor mineral brasileiro. O governo brasileiro discute com o Congresso um novo marco legal para esses recursos, defendendo regras que agreguem valor ao mineral nacionalmente, em vez de permitir a exportação bruta, segundo fontes oficiais.
A iniciativa ocorre enquanto os EUA buscam reduzir a dependência da China, que domina o processamento global de terras raras. O Brasil, com reservas estimadas em 21 milhões de toneladas, pode se tornar um fornecedor estratégico.
“O acesso a minerais críticos será um dos pilares da conversa”, afirmou um diplomata brasileiro. A declaração sinaliza que o governo vê a parceria como oportunidade, mas condicionada à industrialização local.
Tarifas e investigação da seção 301 ameaçam exportações
Lula chega ao encontro sob a pressão de tarifas americanas que já incidem sobre aço, alumínio, cobre e móveis brasileiros. O governo tenta evitar que novas barreiras se somem a essas, enquanto os EUA conduzem uma investigação da seção 301 da Lei de Comércio.
Essa investigação pode ampliar sobretaxas a setores como Pix, big techs e etanol. A avaliação de diplomatas brasileiros é de que a decisão final sobre essa investigação caberá a Trump, segundo apuração de fontes oficiais.
O ambiente de tensão diplomática recente aumenta a incerteza. Sem um time robusto de negociadores, Lula dependerá de conversas diretas para evitar danos à balança comercial brasileira, que já sofre com a guerra tarifária global.
Possível classificação do PCC e CV como organizações terroristas
A Casa Branca ventilou a possibilidade de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, segundo apuração de fontes oficiais. A medida, ainda sem confirmação de que será debatida no encontro, preocupa autoridades brasileiras por suas implicações globais.
Caso efetivada, as facções passariam a sofrer sanções econômicas e restrições financeiras nos Estados Unidos, com reflexos em outros países. A designação terrorista também isolaria ainda mais os grupos criminosos, afetando a cooperação policial internacional e a segurança pública no Brasil.
“A classificação como terrorista mudaria o patamar de enfrentamento a essas facções”, avaliou um especialista em segurança. O governo brasileiro teme que a medida possa estigmatizar o país e complicar investigações conjuntas.
O encontro entre os presidentes está previsto para quinta-feira (7), com Lula acompanhado do ministro da Fazenda, Dario Durigan, mas sem um time robusto de negociadores, conforme fontes próximas. A pauta reflete a complexidade das relações bilaterais em um momento de redefinição geopolítica.








