Donald Trump ameaçou nesta sexta-feira (26) impor tarifa de 100% sobre todos os produtos importados de países que adotarem imposto sobre serviços digitais direcionado a empresas americanas de tecnologia. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos afirmou que a medida prevalecerá sobre quaisquer acordos comerciais em vigor.
“Diversos países europeus vêm discutindo a implementação iminente de um Imposto sobre Serviços Digitais para empresas americanas”, escreveu Trump. “Alguns desses países estão próximos de efetivamente fazer isso.”
Segundo o presidente americano, qualquer nação que imponha tal tributo “será imediatamente alvo de uma tarifa de 100% sobre todos e quaisquer produtos enviados aos Estados Unidos da América”. A tarifa, segundo ele, cancelaria acordos comerciais firmados com o país atingido.
Europa discute tributação digital desde 2018
O imposto sobre serviços digitais é adotado por governos que buscam tributar receitas de grandes plataformas de tecnologia — muitas delas americanas, como Google, Amazon e Meta. A União Europeia discute formas de tributação digital desde 2018, e a França implementou seu próprio imposto em 2019, gerando atrito imediato com Washington.
A ameaça desta sexta-feira não é isolada. Em 15 de junho, Trump já havia advertido que taxaria vinhos franceses em 100% caso Paris mantivesse a cobrança sobre plataformas digitais americanas. O novo pronunciamento amplia o escopo: a retaliação não se limitaria à França nem a produtos específicos, mas atingiria “todos e quaisquer produtos” de qualquer país que adote o tributo.
Brasil vive tensão tarifária própria com Washington
A ameaça não cita o Brasil diretamente, e o país não figura entre as nações europeias que discutem o imposto digital. O efeito potencial para a economia brasileira é indireto: depende de quanto a escalada comercial entre EUA e Europa contaminará cadeias globais de suprimento e redefinirá custos de importação.
O contexto tarifário, porém, já pesa sobre exportadores brasileiros. A Confederação Nacional da Indústria calculou em junho que tarifas americanas ameaçam 54,1% das exportações do Brasil aos Estados Unidos. Paralelamente, o governo brasileiro negocia com Washington a redução de tarifas que chegariam a 37,5% sobre produtos nacionais.
O próximo passo depende de um ato formal do governo americano, que precisará definir país-alvo, base legal, produtos atingidos e data de entrada em vigor. Até lá, a declaração segue como pressão política e comercial — não como tarifa aplicada. Resta saber se a medida mirará apenas governos europeus envolvidos na disputa com as big techs ou se alcançará qualquer país com imposto digital, o que separaria um conflito transatlântico de um risco mais amplo para economias que negociam com os Estados Unidos.










