A mediana da projeção de inflação para 2026 subiu de 4% para 5% na pesquisa Firmus, divulgada nesta sexta-feira (26) pelo Banco Central. O resultado ultrapassa o teto da meta de inflação, fixado em 4,5% para o período, e reforça o sinal de que agentes econômicos passam a trabalhar com preços mais pressionados do que antes.
A Firmus reúne expectativas de empresas não financeiras e funciona como o equivalente, no setor produtivo, do Relatório Focus — elaborado com instituições do mercado financeiro. Ambos apontam inflação acima da meta para 2026: o Focus mostra mediana de 5,33%, na 15ª alta consecutiva registrada na publicação de 22 de junho.
Dois grupos, mesma direção
A coleta da Firmus ocorreu entre 11 e 29 de maio, período anterior à recente queda do dólar e à estabilização da agenda fiscal. A pesquisa anterior, do primeiro trimestre, havia indicado 4% para o IPCA de 2026.
A convergência entre Firmus e Focus é significativa porque envolve grupos distintos de agentes econômicos. Enquanto o Focus reflete a leitura de bancos e fundos de investimento, a Firmus captura a percepção de empresas que definem preços, contratos e investimentos na economia real.
Os demais indicadores da Firmus mostram PIB de 1,80% para 2026, mesmo valor projetado para 2027. A taxa de câmbio esperada para o dólar caiu de R$ 5,40 para R$ 5,15 — movimento que, isoladamente, atua no sentido de reduzir a pressão sobre os preços importados.
Juros altos por mais tempo
Inflação esperada acima do teto reduz o espaço para queda da Selic. O Banco Central usa as expectativas como insumo central na calibragem da política monetária: quando projetam preços mais altos, empresas e investidores tendem a antecipar reajustes, o que mantém a inflação efetiva em patamar elevado.
Para as famílias, a consequência aparece no custo do crédito e no poder de compra. Juros altos encarecem financiamento, cartão, capital de giro e renegociação de dívidas. Para as empresas, projetar inflação em 5% dificulta o planejamento de preços, contratos e estoques.
O dado também afeta o orçamento público. Parte das despesas, contratos e negociações salariais leva em conta índices de preços, e a revisão de 4% para 5% altera a referência usada em projeções internas de empresas e órgãos públicos.
Próximas leituras
O Focus, publicado semanalmente, permitirá acompanhar se a mediana para 2026 continuará acima do teto de 4,5% ou se cederá nas próximas rodadas. Para 2027 e 2028, o Focus já indica 4,15% e 3,70%, respectivamente — ambos dentro da meta.
A próxima edição da Firmus, com coleta trimestral, mostrará se a alta de 4% para 5% foi incorporada de forma persistente pelas empresas consultadas ou se reflete um movimento pontual. O Banco Central publica os dois levantamentos de forma independente, e a convergência entre eles passará a ser acompanhada com maior atenção pelo mercado.











