A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas divide a opinião pública brasileira. Pesquisa Ipsos/Ipec divulgada nesta sexta-feira (26) mostra que 39% dos entrevistados consideram a medida uma interferência em assuntos internos do país, enquanto 24% discordam dessa leitura.
Para 56% dos brasileiros, a classificação coloca em risco os moradores de comunidades dominadas pelas facções — a principal preocupação identificada pelo levantamento, realizado entre os dias 13 e 17 de junho com 2 mil pessoas em 130 municípios.
Os dados revelam um paradoxo central: a sociedade brasileira apoia uma ofensiva dura contra o crime organizado, mas resiste à ideia de que outro país defina o enquadramento jurídico de grupos criminosos brasileiros. Pesquisa Datafolha anterior já havia capturado a mesma tensão — 59% dos entrevistados apoiam a classificação das facções como terroristas, mas 74% rejeitam a atuação de agentes americanos em território nacional sem autorização do governo brasileiro.
No campo econômico, os entrevistados pela Ipsos/Ipec aparecem divididos: 31% afirmam que a medida deve prejudicar a economia brasileira, e outros 31% dizem que não haverá impacto. Apenas 33% avaliam que a classificação vai melhorar a segurança pública do país.
Medida entrou em vigor no dia 5 de junho
A inclusão de PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas pelo governo de Donald Trump entrou em vigor no dia 5 de junho. A classificação ocorreu após a visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca. O Brasil historicamente rejeita enquadrar facções criminosas como organizações terroristas e trata o crime organizado como questão de segurança pública interna.
A China também manifestou apoio ao princípio de não interferência após a decisão americana, reforçando o debate diplomático sobre soberania e autonomia na formulação de políticas de segurança.
O próximo passo relevante é o detalhamento de como os Estados Unidos aplicarão a classificação na prática — sanções financeiras, restrições operacionais e impacto sobre redes associadas às facções dependem de atos oficiais específicos. Até agora, a medida mede a percepção pública e acende o debate sobre até que ponto decisões externas podem moldar políticas internas brasileiras.








