O Bitcoin voltou a operar abaixo de US$ 60 mil nesta semana, renovando a menor cotação de junho e arrastando o mercado de criptomoedas para o vermelho. A queda reflete uma combinação de resgates em ETFs spot nos Estados Unidos, um dólar fortalecido e expectativas de juros elevados por mais tempo — fatores que reduzem o apetite global por ativos de risco.
Dados da Farside Investors, plataforma que monitora os fluxos dos fundos negociados em bolsa americanos, registraram saída líquida de US$ 68,3 milhões dos ETFs spot de Bitcoin em 23 de junho. O resgate sinaliza esfriamento da demanda institucional após meses de entradas expressivas que se seguiram à aprovação desses fundos pela SEC.
“Esta foi uma semana de correção para os criptoativos. O Bitcoin renovou a mínima do ano e voltou a negociar, ao menos temporariamente, abaixo dos US$ 60 mil, em meio à falta de demanda e ao interesse institucional pouco ativo”, afirma Paulo Camargo, CIO da Underblock. Ele observa que o movimento acompanhou o choque recente nas bolsas americanas e a perda de fôlego específica do mercado cripto.
A correção não se limita ao Bitcoin. O Ethereum recuou 4,9%, cotado a US$ 1.571,26, segundo dados da Coinbase. A principal criptomoeda chegou a tocar US$ 59.014,95 — o menor valor de junho — antes de uma leve recuperação para a faixa de US$ 59.400. No Brasil, o Bitcoin era negociado a R$ 310.600.
Dólar forte e juros pesam sobre criptoativos
A pressão sobre o Bitcoin se acumulou ao longo da semana. Em 23 de junho, a criptomoeda já havia recuado para a região de US$ 62 mil, com o mercado associando o movimento à saída de capital dos ETFs. A expectativa de que a Reserva Federal mantenha os juros elevados por mais tempo tornou o dólar mais caro e o Bitcoin — negociado em moeda americana — mais custoso para compradores internacionais.
O nível de US$ 60 mil funciona como referência psicológica e técnica para operadores, pois concentra ordens, ajustes de risco e leitura de tendência. A perda desse patamar tende a aumentar a atenção sobre liquidez e fechamento diário. Análise da Bitfinex aponta uma faixa de risco técnico entre US$ 54 mil e US$ 56 mil caso o mercado perca sustentação abaixo de US$ 60 mil.
Queda em dólar afeta carteira do investidor brasileiro
Para o investidor no Brasil, o impacto da queda depende de duas camadas. A primeira é o preço internacional do Bitcoin, que recuou para a casa de US$ 59 mil. A segunda é a conversão para reais, que pode ampliar ou reduzir a variação percebida na carteira, dependendo do câmbio, do spread da corretora e da liquidez disponível no momento da operação.
Quem tem exposição por fundos ou ETFs locais também enfrenta variações na composição da carteira, na política de marcação a mercado e no horário de negociação do produto. A despeito disso, a queda global do ativo tende a pressionar as carteiras expostas, independentemente do canal de acesso escolhido pelo investidor.
Próximos sinais definem se queda é temporária
Os próximos sinais relevantes para o mercado são o fechamento do Bitcoin abaixo ou acima de US$ 60 mil nas próximas sessões, a continuidade dos fluxos dos ETFs spot nos Estados Unidos e os próximos movimentos da Reserva Federal sobre os juros. A combinação desses fatores determinará se a correção é um movimento pontual de realização de lucros ou o início de um período mais prolongado de pressão sobre os criptoativos.






