A Fifa vai colocar em discussão uma nova expansão da Copa do Mundo: a possibilidade de o torneio de 2030 ter 64 seleções e 128 partidas. O presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou que a proposta será analisada pelos comitês competentes depois da edição de 2026, que já estreia um formato ampliado, com 48 equipes e 104 jogos.
A ideia atende a uma pressão da Conmebol para que o Mundial do centenário tenha um desenho inédito. A Copa nasceu em 1930, no Uruguai, e a confederação sul-americana vê a edição de 2030 como uma oportunidade política e simbólica para reforçar o peso da região dentro da Fifa.
Infantino tratou a proposta como tema em aberto, não como decisão tomada. “Ao organizar uma Copa do Mundo, é importante pensar no mundo inteiro, e não apenas na Europa e na América do Sul. Todas as nações devem poder sonhar em disputar uma Copa”, afirmou o dirigente em entrevista à Blue Sport.
O que muda no formato da Copa
O modelo em debate levaria a Copa de 48 para 64 participantes. Uma das possibilidades discutidas prevê 16 grupos de quatro seleções, com 128 partidas ao longo do torneio. Na prática, a mudança abriria mais vagas para confederações continentais, aumentaria a duração operacional do evento e exigiria uma redistribuição mais ampla de receitas, logística e calendário.
A mudança seria o segundo salto consecutivo no tamanho do Mundial. Entre 1998 e 2022, a Copa manteve o formato de 32 seleções por sete edições seguidas. A edição de 2026, marcada para Estados Unidos, México e Canadá, já rompe esse padrão ao reunir 48 equipes, o maior número da história até aqui.
Com 64 seleções, a Copa passaria a incluir um terço dos filiados da Fifa. O ganho político é evidente: mais países teriam acesso ao torneio, mais federações receberiam premiações e mais mercados entrariam no centro da principal competição do futebol. O custo esportivo também é claro: o Mundial ficaria mais inchado e pressionaria ainda mais um calendário que já opõe clubes, seleções, ligas e jogadores.
Por que a Conmebol pressiona
A proposta foi defendida pelo uruguaio Ignacio Alonso, integrante do Conselho da Fifa, e recebeu apoio do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, que chamou a ideia de um “sonho” para o futebol sul-americano. O argumento central é associar a expansão ao centenário da Copa e ampliar a presença global no torneio.
O debate também passa por dinheiro. Na Copa de 2026, a Fifa paga US$ 9 milhões a cada seleção participante. Um torneio com mais 16 equipes elevaria o número de federações remuneradas e obrigaria a entidade a calibrar a divisão de receitas de transmissão, patrocínio, bilheteria e premiação.
A discussão, porém, não se limita à conta financeira. Uma Copa maior mexe na qualidade técnica da fase de grupos, no tempo de preparação das seleções e na carga de jogos de atletas que já chegam ao Mundial depois de temporadas longas por clubes. Esse será o ponto de atrito mais sensível quando a proposta sair do campo político e entrar na mesa formal da Fifa.
Por enquanto, a entidade não aprovou a ampliação. O próximo passo é levar o tema aos comitês da Fifa depois da Copa de 2026. Se avançar, a proposta ainda terá de passar pelo Conselho da entidade antes de alterar oficialmente o formato do Mundial de 2030.











