O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (12) que o Irã havia concordado em abrir mão de seu programa nuclear antes de atacar uma embarcação no Estreito de Ormuz. A declaração, feita em entrevista à NBC News, contrasta com a posição do Comando Central dos EUA (Centcom), que nega o fechamento da rota marítima anunciado por Teerã.
A fala de Trump ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. No sábado (11), a Guarda Revolucionária do Irã declarou o estreito fechado por tempo indeterminado e disparou um tiro de advertência contra um navio porta-contêineres de bandeira cipriota que utilizava uma “rota não autorizada”. Os EUA responderam com uma nova rodada de ataques aéreos contra alvos iranianos.
A alegação de um suposto acordo nuclear prévio, porém, não foi acompanhada de qualquer evidência documental ou manifestação oficial do governo iraniano. Teerã não se pronunciou sobre a afirmação de Trump até a publicação desta reportagem.
O que diz o Pentágono
Em nota divulgada neste domingo, o Centcom afirmou que o Estreito de Ormuz “permanece aberto à navegação comercial e militar”. O comando militar dos EUA não comentou diretamente a fala de Trump sobre o acordo nuclear, mas reforçou que as operações na região continuam para garantir a liberdade de navegação.
A divergência entre a Casa Branca e o Pentágono sobre o status da hidrovia expõe fissuras na comunicação do governo americano. Enquanto Trump insiste que o estreito está aberto e que os EUA podem “facilmente” reabri-lo, o Centcom evita endossar a retórica presidencial e se limita a descrever a situação operacional no terreno.
O silêncio de Teerã
A ausência de qualquer comunicado iraniano sobre o acordo nuclear mencionado por Trump alimenta dúvidas sobre a veracidade da alegação. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu vingança após os bombardeios americanos, mas não fez referência a negociações sobre o programa atômico.
Analistas internacionais ouvidos pela imprensa europeia avaliam que a declaração de Trump pode ser uma tentativa de justificar a ofensiva militar ou de pressionar Teerã a retomar conversas. O histórico de tensões entre os dois países inclui o abandono do acordo nuclear de 2015 pelos EUA em 2018 e a retomada do enriquecimento de urânio pelo Irã.
Petróleo sob pressão
O Estreito de Ormuz é um ponto de estrangulamento vital para o mercado global de energia: cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa por ali. A ameaça de bloqueio já havia colocado os mercados em alerta em junho, quando o PIRANOT mostrou que as ameaças de Trump de atacar o Irã pressionaram as cotações internacionais.
No Brasil, a instabilidade na região tem impacto direto na política de preços da Petrobras, que acompanha as oscilações do barril de petróleo tipo Brent. A escalada do conflito pode elevar os custos de importação e pressionar a inflação de combustíveis, num momento em que o governo busca conter a alta do dólar.
O Itamaraty não se manifestou até o momento sobre o agravamento da crise. A comunidade internacional monitora os desdobramentos, enquanto a Organização das Nações Unidas e Omã mantêm um corredor humanitário para retirar marítimos retidos no Golfo Pérsico.











