domingo, 12 de julho de 2026
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Júnior Cardoso
Economia

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog...

Acionista do Nubamk, Globo quer régua séria não só para notícias, mas para suas mais de 35 empresas do grupo

· 5 min de leitura

TV

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A encomenda de mais de 200 pesquisas da Quaest pela Globo e suas afiliadas pode entregar ao grupo algo maior do que uma sequência de manchetes para a cobertura das eleições de 2026: uma régua própria para medir o país no momento em que decisões políticas, consumo, crédito e confiança passam a andar juntos. A leitura é estratégica. Até agora, não há confirmação pública de que levantamentos reservados serão entregues ao conselho de administração ou à Globo Ventures.

O fato concreto é que a Globo deixou de ser apenas uma empresa de televisão há muito tempo. A holding reúne veículos, plataformas digitais, publicidade, mídia exterior e um braço de investimentos com 35 ativos. Em junho, o PIRANOT mostrou que a nova estrutura tem 20 integrantes e separa o comando das empresas de mídia da vice-presidência de Negócios e Investimentos.

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Em resumo:

  • Globo e afiliadas encomendaram mais de 200 pesquisas eleitorais à Quaest para 2026.
  • A holding do grupo opera com 20 integrantes e separa mídia de negócios e investimentos.
  • A Globo Ventures mantém um portfólio de 35 ativos, inclusive no setor financeiro.
  • A participação no Nubank foi construída por meio de media for equity, segundo reportagens de mercado.
  • Não há confirmação pública de pesquisas reservadas ao conselho de administração.

O ponto central: pesquisa também é infraestrutura de decisão

Uma pesquisa eleitoral mede intenção de voto, avaliação de governo e percepção sobre os principais problemas do país. Mas o mesmo campo pode cruzar renda, região, idade, confiança, prioridades econômicas e comportamento. Para um grupo que alcança dezenas de milhões de brasileiros diariamente, esse conhecimento pode orientar cobertura jornalística, programação, estratégia comercial, posicionamento de marcas e leitura de risco.

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O valor não está apenas no número que será exibido no Jornal Nacional ou publicado no g1. Está na série histórica, na capacidade de comparar públicos e na velocidade para detectar mudanças. Se o contrato permitir módulos proprietários, estudos qualitativos ou relatórios não destinados à publicação, a Globo poderá construir indicadores internos para decisões que atravessam suas diferentes empresas. Essa hipótese é compatível com a estrutura do grupo, mas o escopo integral do contrato com a Quaest não foi divulgado.

Participação no Nubank mostra que mídia e investimento já se cruzam

O Nubank ajuda a mostrar por que essa discussão vai além do jornalismo. A Globo Ventures adquiriu uma participação minoritária no banco digital por meio do modelo conhecido como media for equity, no qual espaço publicitário é trocado por participação acionária. Reportagens de mercado apontaram que a fatia foi construída a partir de 2023 e envolve exposição da marca em espaços de grande valor, inclusive no Jornal Nacional. A Globo Ventures não tornou públicos os detalhes do contrato e informou que também existem negócios tradicionais de publicidade com o banco.

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A própria Globo apresenta a parceria com o Nubank como uma operação guiada por dados, mensuração e inteligência. Em material comercial, o grupo afirma que a relação passou a contar com análises de cenário, comportamento e oportunidades produzidas por seu time de Insights de Mercado. Isso não prova que pesquisas eleitorais da Quaest serão usadas pelo Nubank ou por empresas investidas. Mostra, porém, que o grupo já combina mídia, dados e performance na relação com negócios dos quais pode se tornar acionista.

O que está em jogo para a Globo em 2026

A eleição de 2026 terá impacto direto sobre juros, crédito, consumo, publicidade, regulação das plataformas, concessões de radiodifusão e ambiente de investimentos. Uma régua própria e frequente permite acompanhar não apenas quem vence a disputa, mas como diferentes grupos da população reagem a inflação, emprego, segurança, bancos, apostas, inteligência artificial e novas formas de consumo.

Para a redação, pesquisas confiáveis dão base a notícias e entrevistas. Para o conselho e o braço de investimentos, caso tenham acesso a estudos desenhados para esse fim, os mesmos instrumentos podem reduzir incerteza e antecipar movimentos. A fronteira precisa ser transparente: dado editorial não deve se confundir com interesse comercial, e uma pesquisa publicada precisa seguir critérios jornalísticos independentemente dos investimentos do grupo.

A leitura do PIRANOT

A contratação da Quaest deve ser lida como uma decisão de credibilidade jornalística, mas não somente. Mais de 200 pesquisas formam uma infraestrutura de conhecimento sobre o Brasil. Em um conglomerado que controla veículos de comunicação e investe em dezenas de empresas, essa inteligência tem valor para muito além da eleição.

A pergunta decisiva não é apenas quais pesquisas irão ao ar. É quais réguas poderão ser construídas para uso interno, quem terá acesso a elas e quais barreiras de governança separarão jornalismo, publicidade e investimento. Sem o contrato público, afirmar que o conselho receberá levantamentos exclusivos seria ir além dos fatos. Ignorar o valor empresarial desse banco de informações, porém, seria olhar apenas para a metade visível da operação.

Esta é uma análise de Júnior Cardoso baseada em informações públicas do Grupo Globo, da Globo Ads, da Quaest e em reportagens de mercado sobre a Globo Ventures.

Júnior Cardoso
Sobre o colunista

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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