Marco Rubio rejeitou o apelo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e reafirmou a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em carta oficial datada de 23 de junho e enviada ao gabinete do parlamentar, o secretário de Estado dos Estados Unidos sustentou a medida como decorrência de investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR).
Flávio Bolsonaro havia encaminhado manifestação ao governo americano no início de junho, pedindo a suspensão das tarifas. O senador e pré-candidato à Presidência argumentou que a sobretaxa provocaria “sérios danos” à população brasileira e chegou a citar sua expectativa de vitória nas eleições de outubro.
A resposta de Rubio, no entanto, não altera a posição americana. O secretário indicou que a audiência pública marcada para 6 de julho será o principal canal para discutir as tarifas. Os pedidos para participar da audiência deveriam ter sido apresentados até 22 de junho, e o prazo para envio de manifestações escritas permanece aberto até 1º de julho.
Investigação do USTR antecede tarifaço
A proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros foi apresentada após a conclusão de uma investigação do USTR sobre práticas comerciais do Brasil. Antes de adotar a medida, o órgão abriu consulta pública e agendou audiência — procedimento em que Flávio Bolsonaro se inscreveu para participar.
Na carta, Rubio atribuiu a decisão ao processo comercial americano e manteve o argumento de que o Brasil onera o comércio dos Estados Unidos. O documento também agradeceu o apoio de Flávio à decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas — medida adotada pelo governo de Donald Trump e que consta entre os pontos de convergência entre o senador e a diplomacia americana.
Exportadores enfrentam custo adicional
A manutenção da tarifa de 25% encarece a entrada de mercadorias brasileiras no mercado americano e pode pressionar contratos, margens e preços de exportadores. O efeito sobre cada setor depende da lista final de produtos atingidos, do volume exportado e da capacidade das empresas de redirecionar vendas a outros destinos.
Para exportadores com alta dependência do mercado americano, a sobretaxa representa custo adicional direto. Empresas com diversificação de mercados podem absorver parte do impacto, mas operam sob condições menos competitivas frente a concorrentes de outros países. A tarifa não implica, necessariamente, aumento automático de preços no Brasil — ela altera o custo de exportar para os EUA e pode afetar produção, receita e contratos conforme o peso do mercado americano em cada cadeia produtiva.
Audiência de julho é o próximo marco
A audiência pública de 6 de julho no USTR é o próximo marco do processo. Após esse encontro, o governo americano deverá definir a lista final de produtos atingidos e os termos de aplicação da tarifa. O governo brasileiro ainda não se manifestou formalmente sobre a medida, e eventuais estratégias de negociação ou retaliação dependem de decisão do Itamaraty.











