A coleta de dados do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola foi adiada para 2027 por falta de recursos. No entanto, os testes de campo já revelam uma mudança histórica: pela primeira vez, o levantamento incluirá povos e comunidades tradicionais. A segunda prova piloto, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entrou neste dia 12 em seu segundo dia em Corumbá (MS), um dos seis municípios escolhidos para calibrar a nova metodologia.
O adiamento da operação oficial, inicialmente prevista para 2026, foi confirmado pelo IBGE em comunicado oficial. A restrição orçamentária impede o início da coleta plena, mas não interrompeu os preparativos. Enquanto o orçamento não chega, o instituto concentra esforços em ajustar questionários e logística em campo.
A escolha de Corumbá não é aleatória. O município pantaneiro abriga um mosaico de paisagens e sistemas produtivos — da pecuária extensiva em áreas alagáveis à agricultura familiar em assentamentos —, cenário ideal para testar a abrangência do novo censo. Os recenseadores percorreram áreas rurais, urbanas, indígenas e de assentamento, conforme divulgado pela Agência IBGE Notícias.
Inclusão inédita de comunidades tradicionais
Pela primeira vez, o Censo Agropecuário incluirá povos e comunidades tradicionais. A decisão do IBGE atende a uma demanda histórica por visibilidade estatística desses grupos. A segunda prova piloto do levantamento, em andamento em Corumbá (MS) e Viamão (RS), já testa a abordagem específica para essas populações.
Em Viamão, os recenseadores visitaram exclusivamente comunidades quilombolas, indígenas e de pescadores artesanais. O objetivo é ajustar questionários e treinamentos para captar a realidade produtiva desses territórios.
“A inclusão dessas comunidades é um avanço metodológico que corrige uma lacuna histórica nas estatísticas oficiais”, afirmou o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, segundo a Agência IBGE Notícias.
A nova edição do censo, agora denominada Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, amplia o escopo para além da agricultura e pecuária tradicionais. A prova piloto testa perguntas sobre extrativismo, manejo florestal comunitário e aquicultura familiar — atividades centrais para a subsistência desses grupos.
Testes operacionais no Pantanal
Em Corumbá, o segundo dia de trabalho de campo envolveu visitas a estabelecimentos agropecuários e comunidades quilombolas e indígenas. O IBGE avalia a adaptação dos instrumentos de coleta a diferentes realidades territoriais, da fronteira seca às áreas alagáveis do Pantanal.
O instituto não divulgou resultados preliminares dos testes, mas destacou que a etapa é crucial para garantir a qualidade dos dados quando a coleta plena for iniciada. A logística de deslocamento e a receptividade dos informantes estão entre os pontos sob observação.
A inclusão de atividades florestais e aquícolas também é inédita e reflete a diversificação produtiva do campo brasileiro. A pesca artesanal, por exemplo, passa a ser captada de forma sistemática, assim como o manejo de florestas nativas por comunidades tradicionais.
Adiamento da coleta oficial para 2027
O IBGE adiou para 2027 a coleta do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, inicialmente prevista para 2026. A decisão, segundo comunicado oficial do IBGE, foi motivada por restrições orçamentárias que inviabilizaram a realização da pesquisa no prazo original.
O adiamento ocorre enquanto o instituto realiza a segunda prova piloto em Corumbá (MS), testando a metodologia que incluirá, pela primeira vez, comunidades tradicionais e atividades florestais e aquícolas. O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, manifestou a intenção de realizar uma pesquisa amostral anual do setor agropecuário para evitar lacunas de dados entre os censos decenais.
“Nós estamos trabalhando para que a gente possa ter uma pesquisa anual, uma PNAD [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios] do agro, para que a gente tenha informação todo ano”, declarou Pochmann, conforme divulgado pela Agência IBGE Notícias.
O censo agropecuário é a principal fonte de dados sobre a estrutura e a produção do setor no país, abrangendo desde a agricultura familiar até grandes propriedades. Sua última edição foi realizada em 2017, e o intervalo sem dados oficiais preocupa especialistas e formuladores de políticas públicas.
❓ Perguntas frequentes
Quando será realizado o próximo Censo Agropecuário?
O 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola foi adiado para 2027 por falta de recursos. A coleta estava inicialmente prevista para 2026, mas restrições orçamentárias inviabilizaram o cronograma original, segundo o IBGE.
O que muda no novo Censo Agropecuário?
Pela primeira vez, o censo incluirá povos e comunidades tradicionais, como quilombolas, indígenas e pescadores artesanais. Também amplia o escopo para atividades florestais e aquícolas, além da agropecuária tradicional.
Por que Corumbá foi escolhida para a prova piloto do Censo Agro?
Corumbá (MS) foi selecionada por sua diversidade de paisagens e sistemas produtivos no Pantanal, incluindo pecuária extensiva, agricultura familiar e áreas alagáveis. Isso permite testar a metodologia em diferentes realidades territoriais.











