O conselho de administração da Telecom Italia aprovou por unanimidade, neste sábado (18), a oferta de aquisição de 10,8 bilhões de euros (US$ 12,4 bilhões) apresentada pela estatal Poste Italiane, em um movimento que pode redefinir o controle da TIM Brasil, uma das maiores operadoras de telefonia móvel do país.
A manifestação favorável, embora não conclua a transação, elimina uma barreira importante e abre caminho para a oferta formal aos acionistas, prevista para começar na próxima semana. A operação, no entanto, ainda depende de aval de acionistas e de órgãos reguladores europeus e brasileiros, e não há prazo definido para sua conclusão.
Em comunicado oficial, a Telecom Italia informou que o conselho considerou a proposta financeiramente justa e avaliou de forma positiva as perspectivas de negócios da operação. A Poste Italiane, que já detém cerca de 20% do capital da companhia, pretende adquirir a totalidade das ações e retirar a empresa da bolsa Euronext Milan.
Reestatização indireta e o peso do controle estatal
A oferta da Poste Italiane, controlada pelo governo italiano, representa uma reestatização indireta da maior operadora de telecomunicações do país. A Telecom Italia passou por um longo processo de reestruturação financeira nos últimos anos, que incluiu a venda de sua infraestrutura de rede fixa para reduzir o endividamento, antes de receber a proposta de aquisição.
A transação, anunciada em 22 de março, prevê o pagamento de 0,167 euro em dinheiro e 0,0218 ação ordinária nova da Poste Italiane para cada ação da Telecom Italia entregue na oferta. O prêmio oferecido foi de 9,01% sobre o preço de fechamento de 20 de março, segundo a proposta original.
A conclusão da operação criaria um conglomerado estatal que reúne serviços postais, financeiros, seguros, logística e telecomunicações, com potencial de influenciar a estratégia de subsidiárias como a TIM Brasil.
O que muda para a TIM Brasil
A TIM Brasil é a terceira maior operadora de telefonia móvel do país, com atuação relevante também em banda larga fixa. Qualquer alteração na estrutura de controle de sua controladora na Europa é considerada tema de interesse de segurança nacional e de concorrência no mercado brasileiro de telecomunicações.
Embora a operação não implique venda direta da TIM Brasil, a mudança de controle na holding italiana pode afetar a governança e os planos de investimento da subsidiária. A Poste Italiane, como estatal, pode adotar prioridades diferentes das de um acionista privado, o que exigirá atenção de reguladores e do mercado.
No Brasil, operações que envolvem grandes grupos de telecomunicações costumam passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em junho, o órgão aprovou com restrições a fusão entre Subsea7 e Saipem, em um caso que também envolveu análise de concentração de mercado, como noticiou o PIRANOT.
Até o momento, nem a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) nem o Cade se manifestaram sobre a transação. A ausência de posicionamento oficial mantém em aberto a necessidade de aprovação regulatória local, que pode ser exigida caso a operação configure transferência de controle indireto da TIM Brasil.
Próximos passos e incertezas
O período formal da oferta começa na próxima semana, quando os acionistas da Telecom Italia poderão aderir à proposta. Depois disso, a transação precisará ser aprovada por órgãos reguladores da União Europeia e da Itália, além de possivelmente pelo Cade e pela Anatel no Brasil.
A Poste Italiane não divulgou projeções financeiras detalhadas sobre o impacto da aquisição no caixa da subsidiária brasileira. A empresa também não informou se haverá mudanças na gestão ou na estratégia de investimentos da TIM Brasil após a conclusão do negócio.
A operação ainda pode enfrentar resistência de acionistas minoritários ou condições impostas por autoridades concorrenciais. O desfecho, portanto, permanece incerto, mas a aprovação do conselho da Telecom Italia representa um passo decisivo para a maior reorganização do setor de telecomunicações italiano em décadas — com reflexos diretos no mercado brasileiro.











