Apenas 8% dos filmes de maior bilheteria mundial em 2025 foram dirigidos por mulheres, o menor percentual em sete anos. O dado, do monitoramento da indústria feito pelo Portal Exibidor, joga luz sobre uma contradição que se repete a cada 30 de abril: as listas de filmes para o Dia Nacional da Mulher seguem ignorando a escassez de diretoras, mesmo quando celebram personagens femininas.
A seleção publicada pelo Tribuna PR com cinco filmes sobre a força da mulher brasileira é um exemplo. Dos títulos indicados, apenas dois têm direção feminina. A lista, que reúne obras como “Que Horas Ela Volta?” e “Aquarius”, evidencia a sub-representação de cineastas mulheres no próprio conteúdo que as homenageia.
Pesquisa da Agência Nacional do Cinema (Ancine) sobre a participação feminina na produção audiovisual brasileira reforça o cenário. Entre os 100 filmes nacionais de maior público de 2019 a 2023, somente 20,9% foram dirigidos por mulheres. O estudo aponta que a desigualdade é estrutural e afeta a forma como as personagens femininas são retratadas.
O paradoxo da lista: filmes sobre mulheres, mas poucas diretoras
A lista do Tribuna PR, ao ignorar a autoria feminina em três de cinco recomendações, reproduz o apagamento que o próprio Dia da Mulher busca combater. “A ausência de mulheres na direção afeta diretamente a forma como as personagens femininas são retratadas”, afirma o estudo da Ancine. A pesquisa destaca que a diversidade atrás das câmeras é condição para romper estereótipos e ampliar narrativas.
Enquanto a indústria não corrigir a disparidade de gênero na direção, as celebrações seguirão marcadas por esse paradoxo. Filmes com protagonismo feminino rendem 16% a mais de bilheteria, segundo dados setoriais, mas a sub-representação persiste. O contraste entre demanda do público e oferta de filmes dirigidos por mulheres escancara um ciclo de exclusão que ignora a rentabilidade.
Cenário global e nacional: números que denunciam a desigualdade
Em 2025, apenas 8% dos filmes de maior bilheteria mundial foram dirigidos por mulheres, o menor percentual em sete anos, conforme o Portal Exibidor. O levantamento, baseado no monitoramento da indústria, revela um retrocesso significativo na já escassa presença feminina no comando de blockbusters. “É um dado alarmante que mostra como a indústria ainda resiste à equidade”, afirmou a entidade em comunicado.
No Brasil, o cenário não é diferente. A pesquisa da Ancine indica que, apesar de avanços pontuais, as mulheres seguem minoritárias em cargos de liderança criativa. O estudo aponta que a baixa representatividade se mantém estrutural, com poucas diretoras em longas-metragens de grande circulação.
O impacto econômico dessa exclusão é medido em números: filmes protagonizados por mulheres rendem 16% a mais de bilheteria, conforme dados setoriais. Ainda assim, a indústria insiste em sub-representar mulheres atrás das câmeras, perpetuando um ciclo que ignora tanto a demanda do público quanto a rentabilidade.
Iniciativas e perspectivas: o que está sendo feito para mudar o jogo
Enquanto os números da indústria permanecem desalentadores, mostras e festivais têm se consolidado como vitrines de resistência. O Olhar de Cinema 2025, por exemplo, exibiu mais de 14 filmes dirigidos por mulheres, segundo a organização do evento. A curadora do festival declarou que “a seleção deste ano reflete um esforço consciente de equilibrar as vozes, sem abrir mão da qualidade artística”.
Já o Festival do Rio de 2025 listou 30 títulos de diretoras, conforme divulgado pelo site Mulher no Cinema, evidenciando uma demanda crescente por narrativas femininas. Produtoras prometeram ampliar a participação feminina, segundo a Agência Brasil, mas os resultados ainda são tímidos.
A celebração do Dia da Mulher com listas de filmes pode ser uma oportunidade para pressionar a indústria por equidade, em vez de apenas reforçar estereótipos. A crítica especializada alerta que, sem políticas afirmativas e transparência nos investimentos, as iniciativas correm o risco de se tornar gestos simbólicos.
❓ Perguntas frequentes
Quantos filmes de grande bilheteria em 2025 foram dirigidos por mulheres?
Apenas 8% dos filmes de maior bilheteria mundial em 2025 tiveram direção feminina, o menor percentual em sete anos, segundo dados do Portal Exibidor.
Qual a situação das diretoras no cinema brasileiro?
Entre os 100 filmes nacionais de maior público de 2019 a 2023, somente 20,9% foram dirigidos por mulheres, conforme pesquisa da Ancine. A desigualdade é estrutural e afeta a representação de personagens femininas.
Há iniciativas para aumentar a presença de mulheres na direção?
Sim, festivais como o Olhar de Cinema e o Festival do Rio têm exibido mais filmes de diretoras. Produtoras também prometeram ampliar a participação feminina, mas os resultados ainda são tímidos, com apenas 8% dos blockbusters de 2025 dirigidos por mulheres.











