quarta-feira, junho 3
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Brasil

Shell põe R$ 3,5 bilhões na mesa em troca de mais poder no comando da piracicabana Raízen; credores decidem plano dia 8

Aporte da multinacional entra no plano de recuperação extrajudicial da Raízen, que tenta reorganizar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e ainda depende de votação decisiva dos credores em 8 de junho.

· 5 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Shell prevê aporte de R$ 3,5 bilhões no plano de recuperação extrajudicial da Raízen.
  • Raízen tenta reorganizar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras.
  • Credores discutiram o plano nesta quarta, mas a ratificação decisiva está marcada para 8 de junho.
  • Reestruturação pode ampliar o peso da Shell e dos credores na governança da companhia.

A Shell colocou R$ 3,5 bilhões na mesa dentro do plano de recuperação extrajudicial da Raízen, em uma operação que pode aumentar a influência da multinacional no futuro da companhia piracicabana. A proposta, porém, ainda depende de uma etapa decisiva: a votação dos credores marcada para 8 de junho, que deve definir se o plano de reestruturação de cerca de R$ 65 bilhões avança para homologação.

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O movimento ocorre no dia em que titulares de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e debêntures discutiram a versão atualizada do plano. A aprovação desta quarta-feira (3), quando ocorrer, não encerra o processo. Segundo informações disponibilizadas aos investidores, a deliberação fica sujeita à ratificação pelos credores signatários em 8 de junho. Se essa etapa não for confirmada, a aprovação anterior perde eficácia.

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Para Piracicaba, o caso tem peso maior do que uma renegociação financeira. A Raízen é uma joint venture entre Shell e Cosan, grupo que nasceu na cidade e projetou Rubens Ometto entre os principais empresários do país. A matriz da Raízen é no bairro Santa Rosa, zona norte de Piracicaba. A crise atual pode alterar o equilíbrio de poder em uma das maiores companhias associadas à história econômica piracicabana.

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Em resumo:

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  • Shell prevê aporte de R$ 3,5 bilhões no plano de recuperação extrajudicial da Raízen.
  • Raízen tenta reorganizar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras.
  • Credores discutiram o plano nesta quarta-feira, mas a ratificação decisiva está marcada para 8 de junho.
  • A reestruturação pode ampliar o peso de credores e da Shell na governança da companhia.
  • RAIZ4 fechou cotada a R$ 0,39, ainda perto das mínimas recentes na Bolsa.

Aporte da Shell compra tempo e influência na Raízen

O aporte de R$ 3,5 bilhões previsto pela Shell funciona como reforço de liquidez para a Raízen atravessar a fase mais sensível da recuperação extrajudicial. Na prática, o dinheiro novo ajuda a preservar a operação enquanto a companhia tenta alongar prazos, converter parte da dívida em ações e reorganizar seus negócios.

Em troca, a Shell tende a ganhar mais força no desenho futuro da empresa. O plano prevê mudanças relevantes de governança, criação de comitê de credores e maior supervisão sobre a execução da reestruturação. A permanência de Rubens Ometto no centro do comando, portanto, não pode ser tratada como garantida no longo prazo.

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O ponto sensível é que a Raízen não está apenas renegociando vencimentos. O plano envolve conversão de dívida em ações, emissão de novos instrumentos financeiros e possível diluição dos atuais acionistas. Esse conjunto pode redesenhar a relação entre Shell, Cosan, credores e investidores minoritários.

Credores decidem no dia 8 se o plano avança

A etapa de 8 de junho é o próximo marco da recuperação extrajudicial. O plano depende da adesão necessária dos credores para seguir adiante e depois ser submetido à homologação judicial. Até lá, qualquer leitura de aprovação definitiva precisa ser feita com cautela.

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A proposta principal apresentada aos credores prevê que 45% da dívida reestruturada seja convertida em ações da Raízen, enquanto os 55% restantes sejam substituídos por novos títulos de dívida. Também há alternativas com desconto expressivo para pagamento futuro e uma opção em dinheiro para créditos de menor valor, sujeita a limites definidos no plano.

Para investidores de CRA, o processo é especialmente sensível porque o vencimento antecipado das emissões já foi configurado após o pedido de recuperação extrajudicial. A partir daí, o cronograma original de pagamentos deixou de valer, e o recebimento passou a depender do desfecho da negociação coletiva.

Empresa pode sair da crise menor e dividida

Outro ponto central do plano é a separação dos negócios. A Raízen prevê dividir a operação entre uma frente de combustíveis e distribuição e outra ligada a açúcar, etanol e bioenergia. Essa segregação deve facilitar venda de ativos, entrada de investidores e reorganização das dívidas de cada área.

Essa mudança é relevante para Piracicaba porque a cidade acompanha a crise de uma empresa que carrega parte da história empresarial local. A Cosan nasceu em Piracicaba, e a Raízen mantém presença econômica importante no setor sucroenergético, incluindo operações ligadas à cadeia de cana, etanol e energia.

Se o plano for aprovado, a companhia pode ganhar fôlego para sobreviver à crise, mas dificilmente continuará exatamente igual. A tendência é de uma Raízen mais vigiada por credores, com a Shell mais forte e com menor margem para decisões concentradas no modelo que marcou a expansão dos últimos anos.

Ações seguem perto das mínimas recentes

Na Bolsa, as ações preferenciais da Raízen (RAIZ4) fecharam cotadas a R$ 0,39 nesta quarta-feira, em alta de 2,63%, segundo dados do Google Finance. O papel oscilou entre R$ 0,37 e R$ 0,41 durante a sessão, ainda distante da máxima de 52 semanas, de R$ 2,06.

A cotação reflete o tamanho da incerteza. Um plano aprovado pode reduzir o risco de ruptura financeira, mas a conversão de dívida em ações e a possível diluição dos acionistas atuais continuam pesando sobre o mercado.

Este texto tem caráter jornalístico e não constitui recomendação de investimento.


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