Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira (3) que pediu pessoalmente a Donald Trump para poupar empresas brasileiras da tarifa de 25% proposta pelo governo americano contra importações do Brasil. Em seguida, o senador atribuiu a medida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao dizer que o tarifaço é “do Lula”.
A proposta partiu do USTR, o escritório de Comércio dos Estados Unidos, e foi apresentada na terça-feira (2) sob o argumento de que práticas brasileiras prejudicam ou restringem o comércio americano. O texto não detalha, até a publicação desta reportagem, quais mercadorias entrariam na lista nem fixa prazo para vigência.
Senador transfere a Lula o custo político do tarifaço
Pré-candidato à Presidência, Flávio costurou em uma mesma agenda dois movimentos contraditórios: apresentou-se como interlocutor capaz de demover Trump da taxação e, ao mesmo tempo, responsabilizou Lula pelo desfecho, dizendo que o “tom agressivo” do Planalto com Washington teria provocado a retaliação.
A fala ocorre uma semana após o senador visitar a Casa Branca, em 26 de maio, em agenda voltada à interlocução com o governo americano. Dois dias depois, em 28 de maio, Trump designou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, em outro gesto com efeito direto sobre a relação bilateral. A proposta tarifária foi formalizada pelo USTR em 2 de junho.
Lista de produtos e resposta do Itamaraty seguem em aberto
O efeito prático da medida depende de dois documentos ainda não publicados: o ato americano com a relação de produtos atingidos e o prazo de entrada em vigor da tarifa. Sem eles, exportadores brasileiros não conseguem dimensionar perdas nem acionar contratos de hedge.
O dossiê consultado por esta reportagem não traz manifestação oficial do Itamaraty nem confirmação de canal de negociação aberto entre Brasília e Washington. O próximo marco verificável é a publicação da lista pelo USTR, que definirá o alcance setorial do tarifaço e abrirá o prazo para resposta formal do governo brasileiro.











