Os Estados Unidos bombardearam radares militares iranianos no Golfo Pérsico nesta quarta-feira (3), e o Kuwait registrou disparos de mísseis e drones contra seu aeroporto internacional, em ação que deixou um morto e dezenas de feridos, segundo as autoridades kuwaitianas. A nova troca de golpes desloca o conflito para o entorno do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
A ofensiva americana também atingiu um petroleiro iraniano no Estreito de Ormuz e uma torre de telecomunicações na ilha de Qeshm. O governo do Irã classificou a ação como “violação flagrante da Carta das Nações Unidas” e ameaçou retaliar países da região que sirvam de base logística aos EUA.
O ataque ao aeroporto kuwaitiano foi atribuído pelas autoridades locais a mísseis e drones disparados do território iraniano. Teerã afirmou ainda ter destruído uma base aérea americana no Kuwait — informação contestada por Washington e tratada como alegação unilateral.
Ormuz concentra o risco da escalada
O confronto entre Estados Unidos e Irã foi reaberto em 28 de fevereiro de 2026 e ganhou nova fase em abril, quando Teerã estabeleceu precondições para negociar paz com Washington. As conversas de cessar-fogo seguem paralisadas há semanas, e os ataques recentes vinham se concentrando na faixa do Golfo Pérsico.
A sequência mais próxima começou com a interceptação de mísseis pelo Kuwait em 1º de junho, seguida da acusação americana de ataques iranianos contra Bahrein e Kuwait em 2 de junho. Nesta quarta vieram os bombardeios americanos contra alvos iranianos e o relato kuwaitiano de mísseis e drones contra o aeroporto, fechando a semana mais tensa desde a retomada do conflito.
O Estreito de Ormuz é o ponto sensível da equação: passagem obrigatória de parcela relevante do petróleo embarcado para Ásia e Europa, qualquer interdição prolongada da rota tende a se traduzir em alta do barril e pressão sobre combustíveis. Para o Brasil, importador de derivados e exportador de petróleo, o risco é de repasse aos preços internos e impacto em cadeias de suprimentos, num cenário em que o Itamaraty ainda não se manifestou sobre a escalada.











