quarta-feira, junho 3
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Brasil

Caçula dos Ometto comandava a Raízen antes, durante e depois da tragédia familiar; bancos querem tirá-lo e assumir comando

· 6 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Rubens Ometto já era figura central da Cosan e da Raízen antes da tragédia aérea de 2021.
  • Celso Silveira Mello Filho, irmão mais velho de Ometto, morreu no acidente com a esposa e os filhos.
  • Não há evidência pública de que eventual impacto pessoal da tragédia tenha causado a crise da Raízen.
  • Bancos e credores pressionam por menos poder de Ometto na governança da companhia.
  • Shell quer mais influência proporcional ao aporte, mas sem necessariamente retirar Ometto do posto.

Rubens Ometto já estava no centro de poder da Raízen antes da tragédia aérea que matou seu irmão mais velho, Celso Silveira Mello Filho, a cunhada, três sobrinhos, o piloto e o copiloto em Piracicaba, em 2021. A linha do tempo pública mostra que o caçula dos Ometto não apareceu como alguém afastado formalmente da governança depois do acidente. Ao contrário: seguiu como referência da Cosan e da Raízen. Agora, com a empresa tentando reorganizar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, bancos e credores pressionam para tirá-lo do centro do comando.

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A pergunta incômoda não é se a tragédia causou a crise da Raízen. Não há prova pública para essa conclusão. A pergunta mais precisa é outra: se Ometto comandava antes, durante e depois de uma ruptura familiar tão brutal, por que os credores querem mudar justamente agora o centro de poder da companhia?

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Em resumo:

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  • Rubens Ometto já era figura central da Cosan e da Raízen antes da tragédia aérea de 2021.
  • Celso Silveira Mello Filho, irmão mais velho de Ometto e acionista da Cosan, morreu no acidente com a esposa e os filhos.
  • Não há evidência pública de que eventual impacto pessoal da tragédia tenha causado a crise da Raízen.
  • A pressão dos bancos aparece ligada à dívida, à recuperação extrajudicial e à disputa por governança.
  • A Shell também quer mais poder proporcional ao aporte, mas sem necessariamente retirar Ometto do posto.

O caçula já estava no comando

Rubens Ometto não surgiu no comando da Raízen depois da tragédia. Ele já estava ali. A companhia nasceu da união entre a Cosan, grupo controlado por Ometto, e a Shell. Na estrutura pública da empresa, Ometto aparecia como presidente do conselho e principal referência do lado brasileiro do negócio.

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Por isso, a ideia de que ele teria se afastado completamente após a morte do irmão não se sustenta nos documentos públicos consultados. Atas, registros societários e reportagens de mercado continuaram tratando Ometto como figura central da Cosan e da Raízen nos anos seguintes.

Isso não significa que se conheça sua rotina privada, seu estado emocional ou a forma como elaborou a perda. Significa apenas que, do ponto de vista formal e público, ele continuou no centro da estrutura de poder.

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A tragédia que atravessou a história da família

Em 14 de setembro de 2021, um avião caiu em Piracicaba e matou Celso Silveira Mello Filho, irmão mais velho de Rubens Ometto. Também morreram Maria Luiza Meneghel, esposa de Celso, os três filhos do casal, o piloto e o copiloto.

Celso era acionista da Cosan e tinha trajetória própria ligada ao setor sucroenergético, à agropecuária, à educação e a Piracicaba. A tragédia teve peso humano evidente para a família Ometto e para a cidade. Mas o fato de uma perda familiar poder marcar qualquer pessoa não autoriza transformar essa dor em explicação para uma crise empresarial sem prova documental.

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Não há, nas fontes públicas disponíveis, comunicado da Raízen, documento de credores ou manifestação oficial dizendo que bancos querem a saída de Ometto por luto, trauma psicológico ou qualquer aspecto de sua vida pessoal. Esse tipo de conclusão exigiria evidência que hoje não está disponível.

O que os bancos cobram de fato

A pressão documentada dos bancos é outra. A Raízen tenta aprovar uma recuperação extrajudicial para reorganizar uma dívida de cerca de R$ 65 bilhões. O plano envolve conversão de dívida em ações, novos instrumentos financeiros, aporte bilionário da Shell e redesenho da governança.

Nesse cenário, credores financeiros não querem apenas esperar pagamento. Eles querem poder. Se parte da dívida virar participação acionária, os bancos e detentores de títulos passam a carregar risco de sócio. A consequência natural é exigir mais controle sobre quem toma decisões, quem fiscaliza a companhia e quem preside o conselho.

É nesse ponto que Ometto virou alvo. A cobrança dos bancos não aparece como uma discussão sobre sua vida pessoal, mas sobre governança. Para os credores, manter o mesmo centro de poder depois de uma crise bilionária pode ser visto como risco. A pressão, portanto, é para reduzir sua influência ou retirá-lo da presidência do conselho.

Shell quer mais poder, mas mede o movimento

A Shell também quer mais poder na Raízen. A diferença é o modo como esse movimento aparece. Pelo desenho conhecido do plano, a multinacional prevê aporte bilionário e busca influência proporcional ao dinheiro novo colocado na mesa. Isso não significa, necessariamente, exigir a retirada imediata de Rubens Ometto do posto.

A lógica da Shell é proteger um ativo estratégico. A lógica dos bancos é proteger crédito, reduzir risco e ganhar voz na reestruturação. Os dois lados querem menos concentração de poder, mas não atuam exatamente da mesma forma. A tensão central é a mesma: a Raízen de antes da crise não pode sair da recuperação extrajudicial com a mesma governança de antes, na visão de quem vai bancar parte da reorganização.

Entre a dor privada e a cobrança pública

A história de Ometto na Raízen mistura poder empresarial, tragédia familiar e cobrança financeira. Mas esses três planos precisam ser separados. A dor privada não pode ser diagnosticada de fora. A tragédia não pode ser convertida em causa da crise sem prova. E a pressão dos bancos precisa ser lida pelo que ela documentadamente é: uma disputa por comando depois de uma dívida bilionária.

O ponto jornalístico é que Rubens Ometto estava no centro antes da queda do avião, continuou no centro depois dela e agora vê esse centro ser questionado por credores e sócios estratégicos. Não porque bancos tenham apontado uma razão psicológica, mas porque a companhia que ele ajudou a construir chegou a uma situação em que quem financia sua sobrevivência quer também comandar parte do futuro.

Para Piracicaba, a discussão tem peso especial. A crise da Raízen não envolve apenas uma empresa gigante. Ela toca uma família historicamente ligada ao setor sucroenergético, uma tragédia que marcou a cidade e uma possível virada no comando de um império empresarial com raízes locais.

Este texto tem caráter jornalístico e não constitui recomendação de investimento.


 

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