Donald Trump confirmou nesta quarta-feira (3) que chamou Benjamin Netanyahu de “louco” em uma ligação telefônica sobre os ataques de Israel ao Líbano, expondo a maior fissura pública entre Washington e o premiê israelense desde o início da escalada regional.
A admissão pesa sobre dois tabuleiros: as negociações nucleares com o Irã, que a Casa Branca afirma seguir avançando, e o mercado de petróleo, que já havia reagido à tensão. O Brent fechou a segunda-feira (1º) a US$ 94,83, em alta de 4,07%, segundo cotações publicadas pelo Valor.
A declaração foi dada pelo próprio Trump a jornalistas em Washington e referendou reportagem anterior sobre a ligação tensa de 2 de junho. Netanyahu não se manifestou publicamente sobre o episódio, e a Casa Branca não divulgou versão oficial da conversa.
Atrito expõe divergência sobre Líbano e Irã
O desentendimento tem origem em duas frentes: a estratégia militar israelense no Líbano e as tratativas americanas com Teerã. Ataques entre Israel e Hezbollah em 1º de junho antecederam a ligação no dia seguinte e a confirmação pública de Trump nesta quarta-feira (3).
O episódio contrasta com o histórico recente. No primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel e transferiu a embaixada americana para a cidade — gestos que selaram um dos períodos mais favoráveis a Netanyahu em décadas. A divergência atual rompe esse alinhamento em um momento em que Washington tenta destravar acordo com o Irã.
Brent a US$ 94,83 e efeito ambíguo no Brasil
O mercado precificou a tensão antes mesmo da admissão de Trump. Na segunda-feira (1º), o Brent foi a US$ 94,83, alta de 4,07%, em meio aos ataques no Golfo e à incerteza sobre o acordo com o Irã, segundo o Valor. No mesmo pregão, o dólar à vista recuou frente ao real, com a alta da commodity dando suporte à moeda brasileira.
Para o Brasil, o efeito é ambíguo. O país é produtor de petróleo, mas importa derivados, o que mantém a conta sensível à variação internacional do barril. A Petrobras adota a paridade de importação como uma das referências para definir reajustes em gasolina e diesel.
Em polos com forte logística agrícola, como Piracicaba, uma alta persistente do diesel pressiona transporte e escoamento de safra. O desfecho depende das cotações futuras, da política comercial das distribuidoras e de eventual atualização de preços pela estatal.
A Casa Branca sustenta que as conversas com o Irã seguem em curso, e o ritmo dessas tratativas é o principal vetor que o mercado de energia deve acompanhar nos próximos pregões.











