A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,29 bilhões na segunda semana de julho, com avanço forte das exportações e crescimento discreto das importações. O resultado levou o saldo positivo acumulado no mês a US$ 4,54 bilhões e elevou o superávit do ano para US$ 46,90 bilhões.
As vendas externas somaram US$ 7,50 bilhões no período, enquanto as compras do exterior ficaram em US$ 5,21 bilhões. Na comparação pela média diária, as exportações cresceram 19,8% em relação ao mesmo período de 2025. As importações avançaram 1,2%, ritmo bem menor que ajudou a preservar a folga comercial.
Indústria extrativa lidera o avanço das exportações
O principal impulso veio da indústria extrativa, cuja média diária de exportações subiu 28,1% na comparação anual. A indústria de transformação também contribuiu, com alta de 17%, e a agropecuária registrou crescimento de 16,3%.
O desempenho confirma o peso das commodities no resultado comercial do mês. Na primeira semana de julho, o setor extrativo já havia sustentado superávit de US$ 2,27 bilhões, antes de nova alta nas vendas externas na semana seguinte. Com isso, julho chega à metade do mês com saldo próximo de US$ 4,6 bilhões.
Saldo comercial contrasta com fluxo cambial volátil
O superávit comercial reforça a entrada potencial de dólares pela via do comércio exterior, mas não elimina a volatilidade no mercado de câmbio. Na primeira semana de julho, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 1,028 bilhão, embora o acumulado de 2026 ainda mostrasse entrada líquida próxima de US$ 22 bilhões.
A diferença entre os dois indicadores ocorre porque a balança comercial mede exportações e importações de bens, enquanto o fluxo cambial registra a entrada e a saída efetiva de moeda estrangeira por operações comerciais e financeiras. Na prática, o bom desempenho das exportações melhora a posição externa do país, mas não impede oscilações de curto prazo no câmbio.
Tarifas dos EUA entram no radar do segundo semestre
O avanço das exportações ocorre em meio às negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre a possibilidade de novas sobretaxas a produtos brasileiros. Em junho, o governo brasileiro abriu uma rodada técnica com autoridades americanas para tentar conter tarifa de até 37,5%. Entidades da indústria e câmaras de comércio também defenderam um acordo para barrar sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
Uma eventual elevação tarifária afetaria principalmente setores exportadores, em especial segmentos da indústria e do agronegócio. Por ora, os números semanais mostram expansão das vendas externas e mantêm o saldo comercial de 2026 perto de US$ 47 bilhões. A próxima fotografia mais ampla virá com os dados consolidados de julho, previstos para o início de agosto.










