terça-feira, 14 de julho de 2026
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Economia

Alcolumbre desafia governo ao pautar PEC que aposenta agentes de saúde com custo de R$ 30 bi

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A PEC fixa aposentadoria aos 57 anos para mulheres e 60 para homens, com 25 anos de contribuição na atividade.
  • O texto não especifica a fonte de custeio, o que deve pressionar as contas das prefeituras, responsáveis pelos agentes.
  • A votação ocorre em dois turnos, após cinco sessões de discussão, e depende de consenso entre os senadores.
  • O governo estima impacto de até R$ 30 bilhões em dez anos, mas a proposta prevê assistência financeira da União aos municípios.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que a Casa vota nesta terça-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias. A medida enfrenta resistência do governo federal, que estima impacto de até R$ 30 bilhões na próxima década.

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A PEC 14/2021 estabelece que mulheres poderão se aposentar aos 57 anos e homens aos 60, desde que comprovem 25 anos de contribuição e exercício na atividade. O texto também prevê a regularização do vínculo funcional dos profissionais, regras de transição e assistência financeira da União aos municípios para custear os benefícios.

Ao confirmar a votação para esta terça, Alcolumbre afirmou que incluiria a PEC na pauta assim que todos os lados confirmassem o consenso sobre o texto. “Se o senador Styvenson [Valentim] e todos os outros atores envolvidos me comunicarem que esse texto é consensuado, eu vou incluir na pauta do plenário”, declarou.

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A votação ocorre em um cenário de tensão entre o Legislativo e a equipe econômica. O governo alerta que a PEC não especifica a fonte de recursos para bancar o novo regime previdenciário, o que deve pressionar as contas dos municípios — responsáveis pela contratação dos agentes. A estimativa oficial de impacto fiscal varia entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões em dez anos.

Histórico de adiamentos e resistência

A PEC chegou a ser pautada no final de junho, mas foi retirada da pauta por Alcolumbre após reunião com a senadora Teresa Leitão (PT-PE). Na ocasião, o presidente do Senado cedeu a apelos do governo para adiar a votação.

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Em 9 de julho, o Senado concluiu a quinta sessão de discussão regimental, abrindo caminho formal para a votação em plenário. Agora, Alcolumbre decide levar a matéria ao plenário mesmo sob críticas da equipe econômica.

O Ministério da Previdência Social sustenta que a proposta cria despesa obrigatória de caráter continuado sem indicar compensação, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal. Parlamentares da base governista tentaram obstruir a tramitação, mas não conseguiram impedir o avanço.

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Próximos passos e impasse jurídico

Caso aprovada em dois turnos no Senado nesta terça, a PEC segue para promulgação — o texto já havia sido aprovado pela Câmara. O governo, no entanto, pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob o argumento de vício de iniciativa ou desrespeito às regras fiscais, o que adiaria a entrada em vigor da medida.

A votação representa um teste de força entre o Congresso e o Palácio do Planalto. Uma derrota do governo nas vésperas do recesso parlamentar poderia abrir precedente para que outras categorias reivindicassem tratamento previdenciário similar — e estender o confronto fiscal para além da pauta desta semana.

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