terça-feira, 14 de julho de 2026
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Política

PF indicia ex-presidente do INSS e mais 47 por descontos indevidos em aposentadorias

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A Operação Sem Desconto apura descontos associativos não autorizados feitos pela Conafer na folha de pagamento do INSS.
  • O prejuízo estimado é de R$ 6,3 bilhões, e os crimes investigados incluem corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
  • Além do ex-presidente do INSS, foram indiciados o ex-procurador-geral Virgílio de Oliveira Filho e o empresário Careca do INSS.
  • Este é o primeiro inquérito de uma série que já resultou no afastamento da cúpula do INSS em abril de 2025.
  • O caso foi encaminhado ao STF e agora segue para a PGR, que decidirá sobre a denúncia.

A Polícia Federal indiciou o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e outras 47 pessoas no primeiro inquérito da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões. O relatório de 265 páginas foi encaminhado nesta terça-feira (14) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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A investigação aponta que a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) realizava descontos associativos não autorizados diretamente na folha de pagamento de beneficiários do INSS. O prejuízo estimado pela PF chega a R$ 6,3 bilhões.

Além de Stefanutto, foram indiciados o ex-procurador-geral do INSS Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de benefícios André Fidelis e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Os crimes atribuídos incluem corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas neste primeiro relatório, que é apenas uma das frentes da operação.

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Operação Sem Desconto e o rombo de R$ 6,3 bilhões

A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025 e resultou no afastamento da cúpula do INSS no governo Lula. A Conafer, entidade que representa agricultores familiares, é acusada de ser a principal beneficiária do esquema. O relatório agora concluído é o primeiro de várias frentes da investigação, que ainda apura irregularidades em outras associações.

Segundo a PF, os descontos eram feitos sem autorização dos beneficiários, muitas vezes de forma recorrente, e os valores eram repassados à entidade. O esquema teria funcionado com a conivência de servidores do INSS, que facilitavam o cadastramento das associações na folha de pagamento. A investigação aponta que a Conafer teria se beneficiado de um fluxo contínuo de recursos desviados, que chegavam a consumir parte significativa dos benefícios de aposentados e pensionistas.

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Milhões de segurados podem ter sido afetados pelos descontos indevidos, que apareciam como “contribuição associativa” nos extratos de pagamento. A PF estima que o rombo total do esquema, considerando todas as frentes, possa ser ainda maior do que os R$ 6,3 bilhões já identificados neste primeiro inquérito.

A defesa dos indiciados ainda não se manifestou sobre o relatório. O caso tramita sob sigilo, mas o documento da PF descreve os mecanismos de desvio e aponta a participação de cada envolvido. O relatório é o primeiro a ser apresentado no âmbito da operação, que se desdobra em múltiplas frentes e deve gerar novos indiciamentos.

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Relatório segue para a PGR e aguarda decisão de Mendonça

Com o envio ao STF, o relatório será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se oferece denúncia, pede arquivamento ou solicita novas diligências. O ministro André Mendonça é o relator do caso no Supremo e poderá determinar medidas cautelares, como bloqueio de bens dos investigados.

A conclusão deste primeiro inquérito não encerra a Operação Sem Desconto, que ainda investiga outras entidades e possíveis ramificações do esquema. A PF não divulgou prazo para os próximos relatórios. Caso a PGR aceite a denúncia, os indiciados se tornarão réus e o caso será julgado pela Justiça Federal.

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O caso se insere em um contexto de intensificação do combate a desvios de recursos públicos. Nesta terça, o ministro Flávio Dino, também do STF, determinou que o Congresso explique irregularidades em emendas parlamentares, em decisão que reforça a pressão por transparência no uso de verbas federais.


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